Lula, FHC e a própria Dilma Rousseff repudiaram as declarações feitas na última segunda-feira (28). Presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia disse que Bolsonaro “não tem dimensão humana”

Do Brasil de Fato

Jair Bolsonaro (sem partido) questionou, na última segunda-feira (28), a veracidade das torturas sofridas por Dilma Rousseff (PT) durante a ditadura civil-militar (1864-1985). Em conversa com apoiadores, ele questionou a ausência de um “raio x da mandíbula” que comprovaria as agressões. Imediatamente, os três últimos presidentes eleitos do país se manifestaram pelas redes sociais e criticaram a postura do capitão reformado.

As torturas a que Dilma foi submetida pelos militares estão comprovadas em documentos do Conselho dos Direitos Humanos de Minas Gerais (Conedh-MG) e da Comissão Nacional da Verdade.

Bolsonaro é apoiador dos crimes cometidos pela ditadura, além de ser admirador confesso do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, que torturou Dilma.

Reações

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), expressou solidariedade a Dilma e disse que Bolsonaro passou dos limites. “Brincar com a tortura dela –ou de qualquer outra pessoa– é inaceitável”, escreveu em suas redes sociais.

Amigo e companheiro de partido de Dilma, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também repudiou as declarações do capitão reformado. “O Brasil perde um pouco de sua humanidade a cada vez que Jair Bolsonaro abre a boca”, escreveu o ex-presidente, que também foi preso pela ditadura.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), também criticou falas do titular do Planalto, Jair Bolsonaro (sem partido).

“Bolsonaro não tem dimensão humana. Tortura é debochar da dor do outro”, escreveu Maia, que é filho de Cesar Maia, então militante de esquerda que se exilou no Chile no fim da década de 1960 em função de perseguições da ditadura.

Em razão do exílio dos pais, Maia nasceu no Chile, sendo registrado no consulado do Brasil em Santiago, o que o caracteriza brasileiro nato.

“Minha solidariedade a ex-presidente Dilma. Tenho diferenças com a ex-presidente, mas tenho a dimensão do respeito e da dignidade humana,” disse Maia.

 

Dilma Rousseff se pronunciou sobre o caso por meio de nota, intitulada “Índole de torturador”. Confira na íntegra:

“A cada manifestação pública como esta, Bolsonaro se revela exatamente como é: um indivíduo que não sente qualquer empatia por seres humanos, a não ser aqueles que utiliza para seus propósitos. Bolsonaro não respeita a vida, é defensor da tortura e dos torturadores, é insensível diante da morte e da doença, como tem demonstrado em face dos quase 200 mil mortos causados pela covid-19 que, aliás, se recusa a combater. A visão de mundo fascista está evidente na celebração da violência, na defesa da ditadura militar e da destruição dos que a ela se opuseram”.

Edição: Rodrigo Durão Coelho