O físico Ricardo Galvão, ex-presidente do INPE (Instituto Nacional de Pesquisa Espacial)  confirmou ontem (sexta-feira 13) que estará na lista das 1o personalidades mais importantes para a ciência em 2019, publicada anualmente pela revista Nature, uma das mais importantes do mundo no assunto. A divulgação oficial dos escolhidos será feita na próxima terça 17.

O físico ganhou visibilidade ao rebater as acusações sem provas do presidente Jair Bolsonaro (PSL-RJ) a respeito da veracidade dos dados do Inpe. Na ocasião, Bolsonaro acusou Galvão de estar “a serviço de alguma ONG”. No dia seguinte, o então presidente do Inpe afirmou que a atitude do presidente tinha sido “pusilânime e covarde”. Em agosto, o físico foi foi exonerado do cargo, que deveria ocupar até 2020.

Em seu site, a revista justifica os critérios de escolha da lista Nature’s 10: “Seu papel na ciência pode ter tido um impacto significativo no mundo, ou sua posição no mundo pode ter tido um impacto importante na ciência.”

Matéria de  Poliana Casemiro, G1 Vale do Paraíba e Região informa que Galvão, que ocupava o cargo desde 2016, foi exonerado em agosto deste ano depois de rebater críticas do presidente Jair Bolsonaro aos dados do instituto, que indicavam alta no desmatamento na Amazônia.

Bolsonaro disse, em julho, que os números divulgados dias antes – e que registravam um aumento de 88% nos alertas de desmatamento – não coincidiam com a verdade, e que “parece até que [o presidente do Inpe] está a serviço de alguma ONG”.

Após a fala, Galvão saiu publicamente em defesa da pesquisa.

Em entrevista ao G1 na época, disse que a postura do presidente era uma afronta à ciência e ao instituto e comparou as acusações a uma “piada de um garoto de 14 anos”.

Sem arrependimentos

Em entrevista ao G1 nesta sexta-feira, Ricardo Galvão disse que sua atitude foi acertada e fez o governo tomar mais cuidado com o que diz.

“Essa homenagem [da revista] mostra que a minha reação ao governo foi correta. Os agentes públicos têm que saber que não existe autoridade acima da soberania da ciência. […] Eu não me arrependo do que fiz, eu teria feito como fiz”, afirmou Galvão ao G1, nesta sexta-feira.

O físico disse que sua demissão repercutiu de forma diferente do que esperava o governo Bolsonaro.

“Fui atacado e reagi. Ele queria descredibilizar nosso trabalho e, ainda que eu tenha perdido meu cargo, isso repercutiu diferente do esperado por eles. Os olhos do Brasil e do mundo se voltaram para a Amazônia e para a ciência. E, não só isso, como estou sendo congratulado.”

Currículo

Ricardo Galvão é formado em engenharia de telecomunicações pela Universidade Federal Fluminense, com mestrado em engenharia elétrica pela Universidade de Campinas e doutor em física de plasmas aplicada pelo Massachusetts Institute of Technology.

Atua como pesquisador desde 1972 e tem mais de 200 artigos publicados.

Desde que deixou o cargo, Galvão voltou para a sua posição de professor no Instituto de Física da Universidade de São Paulo.