O Supremo Tribunal de Justiça da Colômbia decretou, nesta terça-feira (4), a prisão do ex-presidente e atual senador Álvaro Uribe Vélez. O ex-presidente de direita será julgado por suborno e fraude processual devido ao pagamento de ex-paramilitares detidos para alterarem seus depoimentos e ocultar seu envolvimento com atividades das milícias colombianas.

Brasil de Fato-  São Paulo (SP) – A decisão judicial foi imediatamente notificada e entra em vigor ainda nesta terça. O ex-presidente ainda não apresentou nenhum recurso contra sua sentença.

Por meio de suas redes sociais, Uribe declarou que lamenta a decisão em nome sua esposa, sua família e “pelos colombianos que ainda acreditam que ele fez algo de bom pela pátria”.

O pagamento do político conservador aos detentos teria sido realizado por seu advogado Diego Cadena, que fez, entre outras transferências, uma no valor de 2 milhões de pesos (cerca de R$ 2.821) para o ex-paramilitar Carlos Enrique Vélez. A defesa alega que a transferência foi realizada por um “ato humanitário”, do qual Uribe não tinha conhecimento.

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A investigação contra o ex-presidente teve início em 2018, após o juiz José Luis Barceló receber provas de que Uribe teria tentado mudar o depoimento de um ex-paramilitar sobre seu envolvimento na criação de um grupo paramilitar em Antioquia, noroeste da Colômbia.

Origem do caso

Há mais de 8 anos, em fevereiro de 2012, o senador e defensor dos direitos humanos Iván Cepeda deu início a um debate sobre a formação e desenvolvimento do paramilitarismo em Antioquia. Na ocasião, ele apresentou apontamentos graves relacionados com a fazenda Guacharacas, de propriedade de Álvaro Uribe e seu irmão, o fazendeiro Santiago Uribe.

Segundo a denúncia apresentada por Cepeda, a propriedade de Uribe tinha funcionado como sede da organização paramilitar Bloco Metro.

Em setembro de 2014, quando Uribe já cumpria seu mandato como senador, Cepeda voltou a realizar um novo debate sobre o paramilitarismo em Antioquia e voltou a acusar a Uribe. Naquela data, o direitista denunciou seu colega opositor, afirmando que Cepeda teria realizado pagamentos em troca de depoimentos dos paramilitares.

Só em 2018, seis anos após o surgimento das acusações, a Corte Suprema da Colômbia arquivou a denúncia apresentada por Uribe contra Cepeda e determinou que Uribe é quem deveria ser investigado pela suposta manipulação de testemunhas e suborno.

A Corte Suprema também investiga supostas tentativas do ex-presidente Uribe para tentar, através de terceiros, que o ex-narcotraficante Juan Carlos Sierra, conhecido como El Tuso, gravasse um vídeo para rebater o depoimento do ex-oficial de Polícia, Juan Carlos Meneses, uma das principais testemunhas no julgamento de Santiago Uribe pela suposta formação de grupos milicianos.