Em entrevista ao UOL, Marcelo Luiz Nogueira dos Santos, ex-funcionário da família Bolsonaro, afirmou que a antiga patroa, Ana Cristina Siqueira Valle, segunda mulher de Jair Bolsonaro, queria “escraviza-lo”.

As declarações de Marcelo foiram dadas à coluna da jornalista Juliana Dal Piva, no UOL.

Ao Metrópoles, Marcelo dos Santos denunciou  que Ana Cristina Siqueira Valle ficou com pelo menos 80% de seu salário e de outros empregados.  Segundo ele, a ex-esposa do presidente Jair Bolsonaro era responsável pelo esquema de rachadinha no gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro, o filho “01”e replicado no gabinete de Carlos Bolsonaro, o “02”.

“Das pessoas que trabalhavam, que eram só laranjas, ela ficava com praticamente tudo. Só dava uma mixaria para usar o nome e a conta da pessoa. Eu ainda ganhava mais ou menos, porque eu trabalhava. “Por exemplo: para o pessoal de Rezende, ela só dava um um ‘cala boca’ para usar o nome e a conta, porque eles não trabalhavam, né? Ela é quem comia o dinheiro todo”, contou ele ao portal, afirmando que a prática de Ana teria começado quando Carlos, o filho 02, assumiu o gabinete no Rio de Janeiro.

Trabalho escravo

Empregado doméstico de Ana Cristina há cinco anos, Marcelo dos Santos decidiu falar com a imprensa depois de se demitir. Ele relatou ao UOL e também ao jornalista Guilherme Amado, do portal Metrópoles, que a patroa não pagava o valor mensagem combinado.

Ao UOL, Marcelo afirmou que após Ana Cristina se mudar para Brasília, ela queria que o funcionário morasse na mesma casa que ela, uma mansão de R$ 3,2 milhões, mas pagando menos que o combinado inicialmente. Para ele, a patroa “queria escraviza-lo”.

Segundo Marcelo, a justificativa da patroa para pagar menos é que ele não teria gastos morando na mesma casa que ela.

“Ela falava ‘você tá fazendo questão, mas não vai ter nem gasto, vai tá morando na minha casa.’ Eu falava que ‘não sou seu escravo não, não trabalho pra morar na casa de ninguém não’. A gente trabalha pra ter nossas coisas, sou igual todo mundo, não porque sou preto que vou ficar em casa de patrão não. Ela queria me escravizar, né?”

Marcelo disse que a ex-esposa de Bolsonaro foi “praticamente” racista com ele. “Ela me viu como o quê? Só porque eu era preto”.

A proposta fez com que o funcionário denunciasse Ana Cristina Siqueira Valle ao Ministério Público do Trabalho, no Distrito Federal. Ao UOL, ele ainda revelou que a ideia é entrar na justiça por danos morais e cobrar direitos trabalhistas referente aos anos em que trabalhou com ela em Resende, no Rio de Janeiro. Marcelo diz que nunca teve carteira assinada.

Com informações do UOL, Metrópoles  e Yahoo Notícias

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