Pesquisa realizada nos Estados Unidos é a mais abrangente sobre o tema desde o início da pandemia. Cerca de 27,8% dos pacientes que tomaram hidroxicloroquina paralelamente ao tratamento padrão morreram; entre os que não tomaram, percentual de mortes foi de 11,4%.

Praveen S. – Brasil de Fato | Nova Delhi (Índia) – Uma pesquisa financiada pelo Instituto Nacional de Saúde e pela Universidade da Virgínia, nos Estados Unidos, constatou mais mortes entre pacientes de covid-19 que tomaram hidroxicloroquina do que entre aqueles que se submeteram ao tratamento padrão.

O resultado da análise foi submetido esta semana à revista New England Journal of Medicine e está disponível on-line, mas será revisado por outros cientistas antes da publicação oficial.

Os sete cientistas que assinam o estudo analisaram a evolução da doença em 368 pacientes do sexo masculino, com média de idade de 70 anos, em hospitais militares nos Estados Unidos. Trata-se do estudo mais abrangente sobre o tema desde o início da pandemia, comparando resultados do uso da hidroxicloroquina sozinha e acompanhada do antibiótico azitromicina.

Cerca de 27,8% dos pacientes que tomaram hidroxicloroquina paralelamente ao tratamento padrão morreram. Nos casos em que a hidroxicloroquina foi administrada em conjunto com a azitromicina, a taxa caiu para 22,1%. Entre os que receberam apenas o tratamento usual, o percentual de mortes foi de 11,4%.

O estudo também verificou que a hidroxicloroquina não produziu nenhuma diferença em relação à necessidade de respiradores. O medicamento costuma ser usado para tratamento de doenças como malária e lúpus. Entre os efeitos colaterais mais frequentes estão arritmia cardíaca, fadiga, distúrbios de visão, irritação gastrointestinal e cefaleia.

O uso do medicamento é incentivado por presidentes como Donald Trump, dos Estados Unidos, e Jair Bolsonaro (sem partido), do Brasil. O uso de hidroxicloroquina é autorizado pelo Ministério da Saúde e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), desde que com prescrição médica.

O que é coronavírus?

É uma extensa família de vírus que podem causar doenças tanto em animais como em humanos. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), em humanos, os vários tipos de vírus podem causar infecções respiratórias que vão de resfriados comuns, como a síndrome respiratório do Oriente Médio (MERS) a crises mais graves, como a síndrome respiratória aguda severa (SRAS). O coronavírus descoberto mais recentemente causa a doença covid-19.

Como ajudar a quem precisa?

A campanha “Vamos precisar de todo mundo” é uma ação de solidariedade articulada pela Frente Brasil Popular e pela Frente Povo Sem Medo. A plataforma foi criada para ajudar pessoas impactadas pela pandemia da covid-19. De acordo com os organizadores, o objetivo é dar visibilidade e fortalecer as iniciativas populares de cooperação.

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Edição: Leandro Melito