Principais jornais de economia do país apontam erro na política econômica do governo federal que não trouxe melhoras para retomada da produção e do emprego e não conseguiu dar respostas às dificuldades trazidas pela pandemia do coronavírus.

O governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) erra no varejo e também no atacado no que diz respeito à condição da política econômica. No varejo, não houve retomada da economia, como foi profetizado pelo minstro  da Economia, Paulo Guedes, que dizia, no início da gestão que bastariam as reformas trabalhistas para que a economia voltasse a crescer. Nada disso aconteceu. No atacado, o erro é ainda mais grosseiro. A dupla Bolsonaro-Guedes não conseguiu dar respostas ao aprofundamento da recessão causado pela pandemia do coronavírus.

O cenário brasileiro é tão ruim que  Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou na quarta-feira, 24, uma nova previsão para o PIB brasileiro. Em vez de uma queda de -5,3% da atividade econômica nacional, a previsão oficial agora é de que a economia do Brasil vai encolher -9,1% em 2020. Traduzindo: o Brasil vai voltar a ter uma economia do mesmo tamanho que tinha no início dos anos 2000, antes de Lula assumir a Presidência da República. O anúncio do FMI conflita dramaticamente com o cenário previsto pelo governo, que estimava um tombo de 4%. Outro sintoma do agravamento da crise é o fato de os investimentos diretos no Brasil terem caído 68% em maio na comparação com o mesmo mês de 2019. O número mostra um menor apetite por ativos no país em meio à crise do coronavírus.

Inforgráfio, reprodução, O Globo

No relatório do FMI, a piora nas perspectivas para a economia brasileira é reforçada pelas dificuldades que países da América Latina ainda têm para controlar a pandemia de Covid-19. “Na América Latina, onde a maioria dos países ainda luta para conter as infecções, as duas maiores economias, Brasil e México, devem contrair 9,1% e 10,5%, respectivamente, em 2020”, informou a economista-chefe Gita Gopinath.

Ela disse que o aumento dos casos de Covid-19, as dificuldades em conter a pandemia e a queda maior que a esperada na economia mundial estão por trás da revisão da estimativa. “O aumento dos casos de coronavírus é, de fato, um dos fatores que fizeram o FMI reduzir as projeções em muitos países. Como outros emergentes, o Brasil tem muitos desafios”, afirmou.

Gita Maria Milesi-Ferretti, vice-diretor do Departamento de Pesquisa do FMI, acrescentou que a queda da economia global também terá impacto sobre a atividade econômica brasileira. A economia global encolherá 4,9% em 2020, disse o FMI, uma revisão em baixa de 1,9 pontos percentuais em relação às suas últimas previsões em abril. Gita disse que esta é uma “crise sem precedentes”.

Durante a coletiva, Gita afirmou ainda que as previsões têm um alto grau de incerteza, especialmente porque existe o risco de uma segunda onda de Covid-19 no mundo, como já mostram os aumentos de casos em vários países que já tinham iniciado a reabertura da economia. Cerca de 75% dos países atingidos pela doença iniciaram esse processo, segundo o FMI.

Por outro lado, o fundo elevou a perspectiva de expansão do PIB do país no próximo ano de 2,9% para 3,6%. “Para as economias que ainda lutam para controlar as taxas de infecção, a necessidade de continuar com os bloqueios e o distanciamento social terá um custo adicional para as atividades”, afirma o relatório do FMI. Estima-se que a dívida pública global atinja um recorde de 101% do PIB este ano, um aumento de 19 pontos percentuais em relação ao ano anterior.

Governo atrapalha mais do que ajuda

Para piorar, investidores estrangeiros estão tirando dinheiro da Bolsa de Valores. No dia 1 de junho o balanço da B3 mostrava retirada d R$ 77 bilhões de fundos de investimentos que preferiram vender a comprar posições no mercado de ações brasileiros. No combate ao covid19, o governo erra e atrapalha tanto o controle da doença, como a preservação de empresas e empregos. Na última terça-feira 23/06, o ministro interino da Saúde, general Eduardo Pazuello, admitiu  durante a reunião da Comissão Mista do Congresso  – que acompanha a situação fiscal e a execução orçamentária e financeira das medidas relacionadas ao enfrentamento da Covid-19 – , que o ministério gastou menos de um terço dos R$ 39,3 bilhões liberados para o combate ao coronavírus por meio de medidas provisórias. Segundo ele, a pasta pagou até agora R$ 10,9 bilhões — o equivalente a 27,2% do total. Ou seja: o governo federal impõe um sacrifício à população e as outras unidades da federação – Estados e Municípios -, que tem que sacrificar recursos em investimentos, aumentando seus gastos em saúde sem a devida contrapartida da União.

Reprodução: Valor

Desde o início da crise provocada pelo coronavírus, o legislativo aprovou oito medidas provisórias com recursos específicos para o Ministério da Saúde. Nenhuma delas teve os valores integralmente aplicados, segundo a apresentação de Eduardo Pazuello. A situação mais crítica é da MP 969/2020, que autoriza a liberação de R$ 10 bilhões para estados e municípios enfrentarem a Covid-19. De acordo com o ministro interino, nenhum real foi pago. Apesar disso, Pazuello considera que o ritmo das despesas “está bom”.

Para piorar Jair Bolsonaro diz que pretende reduzir de R$ 600,00 para R$ 300,00 o auxílio emergencial. Ele reclama que o beneficio custa R$ 50 bilhões para o tesouro federal, no entanto, o minstro Paulo Guedes não reclamou quando liberou R$ 1,2 bilhões para bancos e instituições financeiras. Ao contrário, em meio a pandemia – e reclamações por falta de recursos -, o governo Bolsonaro-Guedes publicou instrução normativa nesta  no dia 27 de abril, por meio da A Secretaria Especial da Receita Federal, reduzindo de 20% para 15% a alíquota de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) cobrada dos bancos, referente aos resultados do ano de 2019. As informações são do jornalista Breno Costa, do Brasil Real Oficial.

“Ou seja, os bancos pagarão uma taxa menor sobre seus lucros registrados no ano passado. Apenas os quatro maiores bancos do país (Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil e Santander) tiveram lucro de R$ 81,5 bilhões em 2019 – um recorde nominal, com crescimento de 18% na comparação com o registrado em 2018”, destaca Costa.

Estudo feito pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) mostra que a criação de um tributo sobre lucros e dividendos no Brasil poderia levar a um aumento de R$ 22 bilhões a R$ 39 bilhões na arrecadação e ajudar na redução da desigualdade social.  De acordo com a Folha de S. Paulo, o estudo do IPEA cruzou dados do Imposto de Renda da Pessoa Física com a Pesquisa de Orçamentos Familiares referente a 2008 e 2009, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O governo Bolsonaro demonstra a cada diz que passa insensibilidade social e falta de timing na condução da política econômica, arrastando todo o país para uma recessão cada vez mais danosa à saúde da população e das empresas.

Com informações da Folha, Valor, O Globo, RBA, Brasil de Fato, Câmara dos Deputados