Durante  debate digital promovido pela prefeitura de Aparecida, médicos e cientistas tomaram conhecimento do modelo de lockdown reginal adotado pelo município, e alertaram para a evolução do número de infectados pelo coronavírus no Estado.

O prefeito Gustavo Mendanha (MDB), promoveu na tarde desta terça-feira (16), a live “Gestão em tempos de pandemia”. O debate contou com a participação de cerca de 100 pessoas, entre profissionais de imprensa, agentes públicos, vereadores e profissionais de saúde.

A videoconferência teve como debatedores o o secretário de Saúde, Alessandro Magalhães,  a a infectologista da Universidade Federal de Goiás (UFG), Cristiana Toscano, que faz parte Grupo Estratégico Internacional de Experts em Vacinas e Vacinação Organização Mundial de Saúde (OMS); o mestre em Ciências Humanas e Sociais pela Universidade Federal do ABC (UFABC), Rafael Saad; o biólogo professor do Departamento de Ecologia da UFG, Thiago Rangel; e o diretor-geral do Hospital Sírio Libanês, Paulo Chapchap.

Única brasileira e latino-americana junto à OMS, Cristina Toscano participa do esforço global da entidade para o controle do covid19 e para construção de uma vacina para a pandemia, que envolve 121 países e instituições em todo o mundo.

Pelo modelo apresentado pela Dra. Cristina Toscano, se forem mantidos os números atuais de infecção, ao final de julho podem ser necessários entre 795 a 861 leitos de enfermaria e de 326 a 365 de UTI no município

Dra Cristina apresentou um modelo estatístico no qual acompanha a evolução do coronavírus em todo o Estado. Ela observa que Goiás acertou em ser um dos primeiros estados a fazer o isolamento social, mas entende que desde a flexibilização para atividades econômicas, a partir de 19 de abril, aumentou o número de infectados.  Atualmente o Estado tem cerca de 35% de isolamento social, quando na sua avaliação o mínimo deveria ser de 50%. Se não houverem medidas para ampliar o isolamento, existe a possibilidade de que o número de mortes pode crescer exponencialmente, e na pior hipótese o Estado registrar 5 mil óbitos até o final do mês de julho.

Nas suas considerações finais a infectologista avalia que o município deve ter como meta um isolamento entre 50% a 55% para evitar um possível colapso no sistema de saúde

Em Aparecida foram diagnosticados 1.177 casos positivos na cidade, 544 referem-se a pessoas que estão neste momento com a doença, sendo que 523 estão em isolamento domiciliar. Quatro óbitos estão em investigação, 610 pacientes foram recuperados, foram registrados 19 óbitos e 21 pessoas seguem hospitalizadas.

Questionada sobre o modelo de lockdown regional, no qual o município de Aparecida dividiu a cidade em dez macro regiões, fechando completamente duas a cada dia da semana, a Dra. Cristina Toscano diz que este modelo já foi adotado por países com mesma dimensão territorial de Goiás e noutros estados como o Rio Grande do Sul, mas não tinha conhecimento deste tipo de experiência num município. Ela enfatiza que neste momento em que os casos de infecção estão em alta é preciso vigilância para ver se este modelo (lockdown regional) se mantém estável, ou se será necessário reduzir a flexibilização.

O professor Thiago Rangel se colocou à disposição do município para estudar o modelo adotado e para contribuir com a sua experiência em modelos de controle que estão sendo por ele utilizados no seu trabalho na UFG.

 

Testes  e controle

O secretário municipal de Saúde, Alessandro Magalhães defendeu a experiência de controle do covid19 em Aparecida. Ele observa que nos últimos  60 dias de flexibilização, considerando o decreto do governo do Estado do dia 19 de abril,  as taxas de internação continuam estáveis em Aparecida de Goiânia. Ele ressalta que os casos aumentaram, e os óbitos também, mas dentro da curva epidemiológica prevista pela área de saúde do município.  Alessandro argumenta que a testagem ampliada tem possibilitado identificar quem está doente mesmo antes de sintomas graves aparecerem e a tratar com mais eficácia os pacientes, demandando menos leitos intensivos. Segundo ele, apenas 12% dos portadores de Covid-19  em Aparec ida precisaram ser internados e 7% destes utilizaram leito de UTI.

 

 ” Hoje a gente pode falar que acertou no momento da flexibilização, mas pode ser que para frente seja necessário ampliar o distanciamento, ou seja, diminuir a flexibilização”, opina.

 

O secretário informa que Aparecida de Goiânia está entre as cidades que mais faz testes para o covid19 no país. que o município tem feito uma média de 11.848 testes por cada grupo de 1 milhão de habitantes, ficando atrás, comparativamente no Brasil, apenas de todo o Estado do Espírito Santo (ES), que testou 12.664 pessoas por 1 milhão. Todos os dias, cerca de 45 pessoas são testadas nas três Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) da cidade, mediante pedido médico, bem como uma média de 157 pessoas realizam testes no Drive Thru Agendado, localizado no Centro de Especialidades,

Alessandro também disse que o município não adotou nem a cloroquina, e nem a ivermetina no tratamento a doença. A excessão foi de um paciente com Lupus e covid’19, no qual foi administrado a cloroquina, utilizando o protocolo médico do Hospital Sírio Libanês. Tratamos os pacientes sintomáticos com medicamentos como dipirona e outros, afirma.

Pragmatismo

O prefeito Gustavo Mendanha agradeceu a participação dos debatedores e da imprensa e disse que a opção pelo lockdown por macrorregiões tem se demostrado uma experiência satisfatória no controle do coronavírus. Mendanha, no entanto, é pragmático e diz que se for necessário fecha a cidade, lembrando que a preocupação com a economia, não se sobrepõe ao dever maior de salvar vidas.

Gustavo Mendanha ressaltou a parceria entre a secretaria de Saúde de Aparecida de Goiânia e o Hospital Sírio Libanês, onde foram desenvolvidos protocolos médicos para prevenção, atendimento e tratamento de pacientes com o covid19. Ele agradeceu a participação dos cientistas e especialistas médicos no debate, deixando claro também o papel da imprensa na divulgação e esclarecimento sobre os perigos do coronavírus e da necessidade de todos os segmentos contribuírem para erradicação da doença.

Mais respiradores

O prefeito lembrou que Aparecida recebeu 10 novos respiradores pulmonares enviados pelo Ministério da Saúde (MS), com a intermediação do senador Vanderlan Cardoso (PSD). Segundo ele, até a próxima semana Aparecida deverá totalizar 73 Unidades de Tratamento Intensivo (UTI´s) exclusivas para tratamento da Covid-19 na rede pública municipal. Os 10 respiradores se somam aos 50 do Hospital Municipal de Aparecida (Hmap) e aos 13 do Hospital do Garavelo já instalados com essa finalidade. Além disso, outros 63 leitos de semi-UTI´s estão funcionando no Hmap.