A defesa da Amazônia é uma das bandeiras do pontificado de Francisco, que inclusive dedicou um sínodo à floresta em 2019.

O papa Francisco citou a “perigosa situação” da Amazônia em seu pronunciamento na sessão de debates da 75ª Assembleia-Geral das Nações Unidas (ONU) e disse que a emergência ambiental está “intimamente ligada à crise social”.

O vídeo de Jorge Bergoglio foi exibido na manhã desta sexta-feira (25), em uma Assembleia-Geral realizada pela primeira vez de forma virtual devido à pandemia do novo coronavírus. Francisco falou durante 26 minutos e abordou temas caros a seu pontificado, como o aquecimento global e a necessidade de construir uma nova arquitetura financeira global.

Ao mencionar o Acordo de Paris sobre o clima, assinado no fim de 2015, o Papa disse que é preciso “admitir honestamente que, ainda que alguns progressos tenham sido alcançados, a pouca capacidade da comunidade internacional para cumprir suas promessas de cinco anos atrás” evidencia que é preciso evitar discursos “tranquilizantes” e cuidar para que as instituições sejam “realmente efetivas”.

  “Penso também na perigosa situação da Amazônia e de seus povos indígenas. Eles nos lembram que a crise ambiental está intimamente ligada a uma crise social e que o cuidado com o meio ambiente exige uma aproximação integrada para combater a pobreza e a destruição”, afirmou.

A defesa da Amazônia é uma das bandeiras do pontificado de Francisco, que inclusive dedicou um sínodo à floresta em 2019.

 “Não devemos deixar para as próximas gerações os problemas das anteriores. Devemos nos perguntar seriamente se existe entre nós a vontade política para mitigar os efeitos negativas da mudança climática, assim como para ajudar as populações mais pobres e vulneráveis, que são as mais afetadas”, acrescentou. .

“Devemos acabar com o atual clima de desconfiança. Na verdade, estamos enfrentando uma erosão do multilateralismo tão grave quanto no momento de desenvolvimento de novas tecnologias militares”, disse.

Sem citar os países afetados, o pontífice fez um apelo para que “flexibilizem as sanções internacionais” que, segundo ele, afetam principalmente as populações civis.

Fiel à sua postura, voltou a condenar “a lógica perversa” que vincula a segurança ao “porte de armas”.

“Devemos desmontar a lógica perversa que vincula a segurança pessoal ou nacional ao porte de armas. Essa lógica serve apenas pra aumentar os lucros da indústria armamentista”, argumentou.

O papa argentino expressou também seu desejo de que a ONU seja mais eficaz e que o Conselho de Segurança seja “mais unido e determinado”.

“Nosso mundo, carregado de males, precisa que as Nações Unidas se tornem um vetor internacional de paz cada vez mais eficaz. Isso significa que os membros do Conselho de Segurança, especialmente os membros permanentes, devem agir com mais unidade e determinação”, disse.

“Você nunca sai de uma crise como antes. Ou sai melhor, ou pior” e a crise relacionada à pandemia de covid-19 “nos mostrou que não podemos viver uns sem os outros”, afirmou o papa.

“As Nações Unidas foram criadas para unir as nações, para representar uma ponte entre os povos. Façamos um bom uso desta instituição”, pediu.