Embalado por articulação caiadista, Veter Martins se precipitou no lançamento de candidatura, quando era o candidato natural a permanecer na vice de Gustavo Mendanha.

Marcus Vinícius de Faria Felipe

Há poucos dias assinei artigo, publicado aqui no Onze de Maio e republicado no Diário de Goiás com o título “Time que está ganhando não se mexe”. Defendi no texto a permanência de Veter Martins (PSD) como vice-prefeito na chapa de Gustavo Mendanha (MDB), compreendendo que ambos formam uma boa dupla e Aparecida de Goiânia está ganhando com o trabalho dos dois. Qual não foi minha surpresa quando o Pastor Romeu Ivo, do MDB, foi indicado vice, e logo em seguida, Veter Matins lança sua candidatura a prefeito, em contraponto a Gustavo Mendanha.

Na fofoca asquerosa das redes sociais foi apontado um culpado: o presidente regional do MDB, Daniel Vilela. O ex-deputado federal teria “intervido” na chapa para impor um vice do partido.

Entre o fato e o boato tem uma distância. E fomos atrás da verdade.

Havia uma pressão do diretório estadual do PSD para o lançamento de uma candidatura em Aparecida de Goiânia, depois que o senador Vanderlan Cardoso foi efetivado candidato do partido em Goiânia. Como não há segredos na política, o PP pressionou Gustavo para que fosse indicado um vice do partido. Esta panela de pressão foi fervendo às vésperas do prazo final das convenções (16/09).

Panela de pressão

Diz o ditado que o apressado come cru, e há outro que fala que o tempo é quem cura o queijo.

O prefeito Gustavo Mendanha fez a convenção do seu partido, o MDB, que homologou sua candidatura à reeleição. Ele já havia declarado em entrevista à Rádio Sagres 730 da sua preferência pela manutenção de Veter Martins na vice. Esperava ganhar tempo para que as pressões acalmassem e pudesse confirmar o companheiro na chapa. Para ganhar tempo, foi registrado o nome do Pastor Romeu Ivo (MDB) na vice, formalizando a chapa junto à Justiça Federal.

Pastor Romeu é orientador espiritual do prefeito e tem amizade com o deputado federal Glaustin da Focos (PSC) e com o Pastor Oídesdo Carmo, que coordena o Campo Campinas da Igreja Assembleia de Deus.

Ao PP foi pedida contrapartida: se os pepistas queriam o vice em Aparecida deveriam contribuir com a aliança de Maguito Vilela (MDB) em Goiânia. Não foi possível e isto pôs fim à demanda do partido, que através de sua liderança maior em Aparecida, o deputado federal Professor Alcides, confirmou apoio à reeleição de Gustavo.

Ação precipitada do Palácio

Mas o Palácio das Esmeraldas não deu tempo da “panela” esfriar. Impulsionado pela costura política que trouxe o PSD para a base do governo estadual, formando a chapa Vanderlan Cardoso (PSD), com Wilder Morais (PSC) na vice, os articuladores do governo do Estado incentivaram a candidatura de Veter Martins, fazendo acreditar que levariam para sua chapa os apoios do PTB, DEM  e PSC, além do PV, PP, PMN, Avante e o próprio PSD do vice-prefeito.

 

Voto-camarão

Como se diz em goianês: foi um “tiro n´água”. O PP confirmou apoio a Gustavo. O DEM, cujo vereador Manoel Nascimento, teve preterida a candidatura a prefeito, ficou desmotivado, ao ponto de Nascimento não definir sequer se disputará a reeleição à Câmara Municipal.  O PV está sob intervenção, mas o Professor Alcides, que é também um patrono do partido no município, articula a volta dos “verdes” a aliança, ou, no mínimo o chamado “voto camarão”, ou seja, para comer o crustáceo, corta-se a cabeça e consome-se o corpo. Assim, expurga-se a cúpula ou a cabeça do partido, e os candidatos a vereador fazem campanha para Gustavo ao invés de Veter.

O “voto-camarão” pode ser repetido pelo PTB,  PMN e até mesmo pelos próprios candidatos a vereador do PSD, fragilizando a chapa “caiadista” em Aparecida de Goiânia.

O único partido fechado efetivamente com Veter é o Avante, do secretário de Desenvolvimento Econômico Rodrigo Caldas, cuja esposa, Márcia Caldas é vice de Veter.

Câmara cresce

Não existe vácuo em politica. A atabalhoada articulação palaciana enfraqueceu Veter Martins e fez crescer o  interesse dos vereadores aparecidenses em indicar o vice de Gustavo. O presidente da Câmara, vereador Vilmarzinho (MDB) é o nome de consenso dos legisladores aparecidenses. Ele tem bom trânsito com os colegas, com os secretários municipais e com a classe empresarial de Aparecida e pode ser efetivado no cargo. Gustavo está conversando com as lideranças classistas, ex-prefeitos, deputados antes de tomar a decisão.

 

Portas abertas

Tancredo Neves, que foi ministro de Getúlio Vargas e o candidato civil que venceu a ditadura no Colégio Eleitoral em 1984, pondo fim ao regime dos generais, era um dos mais astutos líderes políticos do seu tempo. Ele dizia que em política não tem portas fechadas. Há no mínimo uma janela aberta para o diálogo.

Veter Martins é querido pelo grupo político que acompanha o prefeito Gustavo Mendanha. As famílias são amigas. É visto como nome para integrar-se novamente e ter o apoio a futuras pretensões, como uma candidatura a Assembleia Legislativa ou a Câmara Federal. Vale lembrar que nas eleições de 2010, pelo PSDB , Veter Martins foi o mais votado em Aparecida para deputado federal. Ele teve 17.638 votos deixando para trás Sandro Mabel (PR), que obteve 17.161 votos e Leandro Vilela (PMDB) que recebeu 17.151 votos.

Criada a mais de cem anos a empresa de mudanças Lusitana lançou o slogan: “O mundo gira e a Lusitana roda”. O mundo dá voltas, e nestas voltas que o mundo dá pode se dar um desfecho de reconciliação ou não entre Gustavo e Veter. As próximas horas dirão.

 

PS: “O trem” tá tão ‘féi’ para o Palácio que o deputado estadual Cairo Salin, do PROS (partido do vice-governador), “largô mão” de ser candidato e declarou apoio à reeleição de Gustavo Mendanha.

O governador Ronaldo Caiado (DEM) poderia ter sido poupado desta esparrela.