As eleições em Anápolis, segunda maior cidade de Goiás, caminham para uma disputa direta entre o ex-prefeito e atual deputado estadual Antônio Gomide, candidato do PT, e o prefeito Roberto Naves (PP), um bolsonarismo envergonhado, que sequer ousa dizer o nome de seu candidato. Em vídeo veiculado em 14 de outubro, o presidente Jair Bolsonaro dirigiu-se aos eleitores do município goiano atacando o PT mas evitou apontar seu “dedo podre” para quem apoia – provavelmente, com medo dos efeitos nefastos que tem causado a candidaturas país afora.

Gomide, que esteve à frente da prefeitura de Anápolis entre 2009 e 2014, foi o único prefeito a vencer no primeiro turno na história política da cidade – em 2012, foi reeleito com quase 90% dos votos, a maior votação proporcional do país. Quando renunciou ao mandato de prefeito para disputar o governo do estado, em abril de 2014, seu índice de aprovação junto à população de Anápolis era de 91,4%. Também foi o vereador mais votado, com 11.647 votos, e o deputado estadual mais votado, com 26.766 votos.

Esse desempenho vencedor credencia o candidato petista, que intensificará o trabalho nas ruas nos próximos dias, com carreatas de manhã e à tarde. No intervalo entre as carreatas, visitará o comércio da cidade.

Apesar de entender a importância das redes sociais, Gomide diz que a campanha na rua é fundamental. “A melhor coisa é estar em contato. Percebemos uma receptividade muito grande ao projeto. É diferente do que queríamos por causa do distanciamento. Mas o que temos encontrado nas ruas é um termômetro muito bom”, afirmou.

Nos programas do horário gratuito eleitoral, o candidato petista vai comparar suas gestões na prefeitura com a atual administração. O ex-prefeito destaca entre as principais realizações como gestor municipal a construção de sete mil casas populares, a construção de três parques ambientais, além de ter investido no desenvolvimento econômico da cidade.

Em entrevistas à imprensa de Anápolis, Gomide tem feito críticas à atual administração pela renovação antecipada do contrato entre o município e a Saneago (Saneamento de Goiás S/A). Ele afirmou que irá cobrar da empresa mais obras e serviços para melhorar o atendimento à população.

Pela cidade, a população reclama do desmonte dos serviços públicos, com fechamento de postos de saúde, atendimento precário em diversas áreas e loteamento da prefeitura por conchavos políticos.

Gomide ressalta que, em relação à sua primeira eleição, a cidade cresceu consideravelmente, e as discussões agora são diferentes. Ainda assim, o candidato quer trazer de volta alguns programas que pensou para o mandato a partir de 2009, com foco na saúde e educação. Entre eles, Cidadão do Futuro, Bolsa Atleta, Bolsa Cultura e o Peti (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil).

Primeiramente, Gomide vai construir unidades de atendimento 24 horas para os cidadãos e focar na saúde primária das famílias. “É nessa saúde primária que nós vamos melhorar a saúde do cidadão, dar conforto à família”, aponta o petista.

Com relação à educação, Gomide questionou o fato de os professores da cidade receberem abaixo do piso nacional. Também afirmou que vai investir no ensino integral. “Vamos construir uma escola em tempo integral, no Setor Industrial Munir Calixto, que é uma área um pouco mais afastada, mas que é um grande povoado em função do distrito industrial”, prometeu.

Antônio Gomide intensifica campanha nas ruas de Anápolis, em Goiás. Foto: Divulgação

Gomide: “Adversários não têm argumentos”

Questionado sobre a declaração de Bolsonaro, que afirmou não votar no candidato do PT caso fosse eleitor em Anápolis, Gomide disse que a oposição usa isso para desviar o foco da discussão na cidade: “É a arma que o adversário tem nesse momento. Porque quando nós queremos discutir na cidade o que foi a saúde, educação e segurança nos últimos quatro anos, eles não têm argumentos”, lembra.

Operado recentemente, o petista fez questão de ressaltar que está bem, que se recupera da cirurgia apenas com uma paralisia facial, mas que também já está sendo tratada e evoluindo bem. “Nada que nos perturbe ou possa nos atrapalhar na nossa saúde geral”, afirmou em entrevista à Rádio Sagres 730, de Goiânia.

Bolsonaro havia se referido a Anápolis na saída do Palácio da Alvorada, em Brasília, quando comentou: “Eu não sou eleitor de Anápolis, mas se fosse, eu não votaria no PT”. No vídeo, disse ainda que desconhecia os outros candidatos à gestão municipal. A fala dele ocorreu depois que o deputado federal Vitor Hugo (PSL-GO) disse estar preocupado com a possível vitória de Gomide.

Entre os outros candidatos que o presidente diz não conhecer está o atual prefeito, Roberto Naves (PP), com o qual Bolsonaro já esteve em outros compromissos desde o ano passado. Naves garante que Bolsonaro tem sua admiração “e todo apoio é bem-vindo”. O candidato também diz ter apoio do governador Ronaldo Caiado (Dem).

Todo o esforço de Bolsonaro e Caiado em favor do atual prefeito, no entanto, não foi suficiente para abalar a candidatura de Gomide, que voltou a postular o cargo a pedido do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva. Pesquisa do RealTime Big Data, encomendada pela Record TV Goiás, aponta empate técnico entre o petista e o bolsonarista.

Na pesquisa estimulada, Gomide, que aparecia com 32% das intenções de voto em 9 de outubro, registrou 30%. Naves tinha 22% e passou para 30%. Brancos e nulos registraram 10%, e 8% dos entrevistados não souberam responder. O levantamento, realizado entre 22 e 24 de outubro, tem nível de confiança de 95%, com margem de erro de quatro pontos percentuais para mais ou para menos.

Mas outra pesquisa, realizada pelo Data Verus Pesquisa e Marketing, aponta Gomide com 31,6% das intenções de voto na estimulada, enquanto que Naves tem 19,4%. Na modalidade espontânea, Gomide também lidera a disputa, com 23,6% da preferência do eleitorado anapolino. O Data Verus entrevistou 605 pessoas entre 25 e 26 de outubro, com margem de erro de 4% para mais ou para menos. O levantamento foi encomendado pelo próprio instituto e foi registrada no TRE sob nº 04748/2020.