Material do The Intercept veiculado no El País, principal veículo de notícias da Espanha, revela que os procuradores da Operação Lava Jato tramaram com procuradores da Suíça para obter ilegalmente informações bancárias sobre o ministro do Superior Tribunal Federal Gilmar Mendes. Num desabafo ao jornalista Ricardo Noblat, o ministro disse que Deltan Dallagnol, Roberson Pozzobon agiram como os criminosos. “Eu não me espantaria se não tivessem tentado forjar alguma cartáo de crédito internacional em meu nome. Eles estão no mesmo patamar dos criminosos que dizem investigar”, atirou.


Nos diálogos publicados nesta tarde pelo El País, o procurador da República Deltan Dallagnol encabeça um a trama para obter ilegalmente dados e informações bancárias sobre o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, apelando inclusive a autoridades da Suíça que forneceram informações sobre Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, apontado como coletor de dinheiro para o PSDB:

Liderados por Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa, procuradores e assistentes se mobilizaram para apurar decisões e acórdãos do magistrado para embasar sua ofensiva, mas foram ainda além. Planejaram acionar investigadores na Suíça para tentar reunir munição contra o ministro, ainda que buscar apurar fatos ligados a um integrante da Corte superior extrapolasse suas competências constitucionais, de acordo com especialistas ouvidos pela reportagem. A estratégia contra Gilmar Mendes foi discutida ao longo de meses em conversas de membros da força-tarefa pelo aplicativo Telegram enviadas ao The Intercept por uma fonte anônima e analisadas em conjunto com o EL PAÍS.

Diálogos
Na guerra aberta contra o ministro do Supremo, os procuradores se mostraram particularmente animados em 19 de fevereiro deste ano. “Gente essa história do Gilmar hoje!! (…) “Justo hoje!!! (…) “Que Paulo Preto foi preso”, começa Dallagnol no chat grupo Filhos do Januário 4, que reúne procuradores da força-tarefa. A conversa se desenrola e se revela a ideia de rastrear um possível elo entre o magistrado e Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, preso em Curitiba num desdobramento da Lava Jato e apontado como operador financeiro do PSDB. Uma aposta era que Gilmar Mendes, que já havia concedido dois habeas corpus em favor de Preto, aparecesse como beneficiário de contas e cartões que o operador mantinha na Suíça, um material que já estava sob escrutínio dos investigadores do país europeu.

Em vários trechos das mensagens, Dallagnol e outros procuradores ironizam e debocham da regra legal de que não poderiam investigar um ministro do Supremo sem autorização do Tribunal:

“Vai que tem um para o Gilmar…hehehe”, diz o procurador Roberson Pozzobon no grupo, em referência aos cartões do investigado ligado aos tucanos. A possibilidade de apurar dados a respeito de um ministro do Supremo sem querer é tratada com ironia. “vc estara investigando ministro do supremo, robinho.. nao pode”, responde o procurador Athayde Ribeiro da Costa. “Ahhhaha”, escreve Pozzobon. “Não que estejamos procurando”, ironiza ele. “Mas vaaaai que”. Dallagnol então reforça, na sequência, que o pedido à Suíça deveria ter um enfoque mais específico: “hummm acho que vale falar com os suíços sobre estratégia e eventualmente aditar pra pedir esse cartão em específico e outros vinculados à mesma conta”, escreve.

As mensagens, diz o jornal, “apontam para uma busca sistemática de Dallagnol por maneiras de afastar o ministro do Supremo das ações da Lava Jato assim como o hoje presidente da Corte, José Carlos Dias Toffoli.

“Sonho que Toffoli e GM acabem fora do STF rsrsrs”, comenta. O procurador chega a mobilizar assistentes para produzir um documento com “o propósito de mostrar eventuais incongruências [de Mendes] com os casos da Lava Jato”. E, ao longo de anos, insiste nas possibilidades de pedir a suspeição do ministro e encampar um processo de impeachment. Os colegas, entretanto, ponderam sobre a ideia de partir para a via do impedimento político e a iniciativa acaba não saindo do papel”.

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