Não tem Paulo Guedes ou Miriam Leitão que dourem a pílula: o estilo atabalhoado do presidente Jair Bolsonaro (PSL-RJ) está quebrando o Brasil. Home, no seu Tijolaço, o jornalista Fernando Brito mostrou em três matérias os prejuízos causados pelas bravatas presidenciais aqui, e com investidores externos.

Na primeira matéria, intitulada “Queima Brasil”, Brito mostra foto com o céu de São Paulo dominado pela fumaça das queimadas. “No UOL, informa o jornalista relato é claro e assustador:

“O número de focos de queimadas cresceu 70% este ano (até o dia 18 de agosto) na comparação com o mesmo período de 2018. Ao todo, o Brasil registrou 66,9 mil pontos, segundo a medição do Programa Queimadas do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Os dados apontam que as queimadas atingiram maior índice desde 2013 –primeiro ano em que há dados informados de período similar.

O número só se compara ao de 2016, onde o vazio de poder causado pelo impeachment paralisou os órgãos fiscalizadores, ressalta.

Depois Fernando Brito lança outro aviso com a matéria “Crise se agrava e estrangeiros tiram quase R$ 20 bihões do Brasil”. No seu texto ele narra que até o dia 15 passado, as saídas de capital estrangeiro da Bolsa de Valores somaram R$ 19,16 bilhões.

Segundo o jornalista, esta é  a maior fuga de capitais do mercado acionário brasileiro, desde que se passou a medir sua participação na Bovespa, em 1996. Supera, inclusive, a ocorrida no mesmo período de 2008, ano da supercrise mundial, que foi de R$ 16,5 bi, de janeiro até a metade de agosto.

“Quase a metade destas saídas se deram em agosto e o ânimo parece continuar o mesmo, com uma contínua pressão de compra sobre a moeda norte-americana – que hoje foi a R$ 4,07 – mesmo com o anúncio do Banco Central de que venderá dólares a partir de quarta-feira.Em 30 dias, uma desvalorização de 9,1% da moeda brasileira”, informa.

Na  reportagem “Queda dos juros é para inglês ver”, Fernando Brito comenta matéria  do jornal Valor Econômico que mostra que apesar da taxa de juros Selic, do Banco Central, estar em 6% ao ano (menor índice desde 1986), os juros do cheque especial estão em estratosféricos 322,23% ao ano.  Brito observa que é a este tipo de juro que a classe média mais recorre, juntamente com os juros pagos ao cartão de crédito, que são igualmente abusivos.

O Valor Econômico registra:

Alguns especialistas da indústria bancária ouvidos pelo Valor reconhecem, reservadamente, que o mercado pode ter aproveitado para migrar para um patamar de preço mais alto depois que a Caixa e o BB começaram a subir as suas taxas. Os dados mostram que, de forma geral, os bancos federais saíram na frente. Quando a presidente Dilma determinou a baixados juros dos bancos federais, as taxas caíram a uma mínima de 60,8% ao ano na Caixa e 80,4% ao ano no BB, em março de 2013. Desde então, subiram para, respectivamente, 298,9% ao ano e 298,5% ao ano.

“Traduzindo: BB e Caixa são promotores de juros assassinos sobre os brasileiros. Claro que, por isso, o brasileiro faz de tudo para fugir do cheque especial e do rotativo do cartão de crédito (300% ao ano, em média). Mas nem sempre consegue. E, por isso, os ganhos com os juros do cheque especial, mesmo com as suas operações representando uma ínfima parte dos empréstimos, representam 10% da receita dos bancos com juros em operações de crédito”, finaliza.

Resumo da ópera: a falta de foco na economia e na administração do presidente Bolsonaro, somada às suas brigas contra União Européia,Mercosul, China, Argentina, Alemanha e Noruega está espantando investidores do Brasil. Em meio a este caos, os especuladores fazem a festa, sejam eles grileiros de terras, grandes pecuaristas do Pará, banqueiros da Avenida Paulista ou os filhos 01, 02 e 03.

Leia mais no Tijoço:

Reação a Bolsonaro ameaça ser praga para o agronegócio