Depoimentos à Comissão Nacional da Verdade revelaram que montadora alemã de veículos  colaborou de maneira sistemática e ativa com o regime militar brasileiro, com esquema de espionagem nas fábricas para denunciar sindicalistas combativos. Agora, ex-funcionários perseguidos deverão receber R$ 36 milhões em indenizações, diz imprensa alemã.

Do Deustch Welle – A montadora alemã Volkswagen vai indenizar ex-funcionários de sua filial brasileira que foram afetados pela colaboração sistemática da empresa com a ditadura militar no Brasil. A informação foi divulgada pela imprensa alemã nesta quarta-feira (23/09).

Segundo o jornal Süddeutsche Zeitung e as emissoras estatais NDR e SWR, o acordo de compensação será assinado pela companhia nesta quinta-feira em São Paulo.

Os veículos disseram que a subsidiária brasileira da VW deverá pagar cerca de R$ 36 milhões em indenizações individuais e coletivas. Grande parte do valor irá para associações de vítimas formadas por ex-funcionários e seus familiares. Ao todo, mais de 60 pessoas serão beneficiadas.

Lúcio Bellentani, ex-funcionário da Volskwagen, preso e torturado durante a ditadura em cena do documentário “Como a Volkswagen colaborou com a ditadura”  Foto: Reprodução. Desde o final de 2015, o Ministério Público Federal investiga a colaboração da Volkswagen do Brasil com os órgãos repressivos da ditadura militar brasileira em um Inquérito Civil Público (IC 1.34.001.006706/2015-26 – MPF). Em 22 de setembro de 2015, o Fórum de Trabalhadores por Verdade, Justiça e Reparação apresentou uma denúncia contra a Volkswagen do Brasil ao Ministério Público Federal, em São Paulo.

 

A compensação está relacionada a uma ação movida há cinco anos contra a empresa, em nome de ex-empregados que trabalharam na fábrica da Volkswagen em São Bernardo do Campo durante a ditadura militar. Com o acordo indenizatório, a companhia evita uma disputa judicial.

O historiador Christopher Kopper, da Universidade de Bielefeld, que foi contratado pela empresa para apurar a colaboração da VW com a ditadura brasileira e elaborou um relatório independente sobre o caso, afirmou que o acordo desta quinta-feira será histórico.

“Será a primeira vez que uma companhia alemã aceita sua responsabilidade por violações de direitos humanos contra seus próprios funcionários por eventos que ocorreram após o fim do nacional-socialismo”, disse o especialista aos veículos alemães.

Em sua reportagem, o Süddeutsche Zeitung aponta que a decisão é “um sinal importante, justamente porque o presidente populista de direita Jair Bolsonaro já glorificou a ditadura militar da época”. “Para os trabalhadores da fábrica, significa uma justiça pela qual eles tiveram que esperar por décadas”, completou o jornal.

 

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