O repórter  Heike Mund, do site alemão DW (Deutsche Welle) relata o sentimento de reparação, que ainda permeia os alemães, que se recusam a apagar da memória os horrores do nazismo.

Há 75 anos, o Exército soviético libertou os prisioneiros do maior campo de concentração estabelecido pelos nazistas. Estima-se que mais de 1 milhão de pessoas tenham morrido no local – a grande maioria judeus.

Mais de 25 milhões de pessoas já visitaram o memorial no antigo campo de concentração de Auschwitz, no sul da Polônia, desde a sua abertura, em 1947. Nesta segunda-feira (27/01), completam-se 75 anos da libertação dos prisioneiros do local pelo Exército soviético.

A cada ano, o local recebe mais de 2 milhões de visitantes vindos de todas as partes do mundo. O enorme complexo nazista ficava a 50 quilômetros de Cracóvia, às portas da pequena cidade de Oswiecim (nome de Auschwitz em polonês). Hoje, além do memorial, o local abriga um museu.

Até 1945, funcionava ali um sistema de extermínio em massa de dimensões inimagináveis. Ao lado dos três campos principais, o campo de extermínio central incluía campos auxiliares e subcampos de tamanhos variados. Para se ter uma ideia, somente o museu no campo principal de Auschwitz e o extenso Memorial de Auschwitz-Birkenau ocupam 191 hectares.

1. A cidade Oswiecim (Auschwitz)

Muito antes de o nome se tornar conhecido através do campo de concentração alemão, Auschwitz era uma cidade pequena com uma história agitada. Chegou a fazer parte do território austríaco, como Ducado de Auschwitz pertenceu ao reino da Boêmia, foi parte da Prússia e, mais tarde, novamente da Polônia. O local Oswiecim foi mencionado pela primeira vez por volta de 1200. Em 1348, ele foi incorporado ao Sacro Império Romano, e o alemão tornou-se a língua oficial.

Quando Oswiecim tornou-se ponto de parada para a ferrovia, em 1900, a cidade prosperou economicamente. Foram construídos alojamentos para os muitos trabalhadores sazonais e migrantes para as áreas industriais vizinhas da Alta Silésia e Boêmia. Mais tarde, os prédios formariam a base do campo de concentração nazista de Auschwitz.

Logo após o início da Segunda Guerra, em setembro de 1939, Oswiecim foi tomada por tropas nazistas e anexada ao Império Alemão. Em 1940, a SS (Schutzstaffel ou esquadra de proteção), o braço armado do partido nazista, comandada por Heinrich Himmler, conseguiu rapidamente e sem muito trabalho converter o local em campo de concentração, como documentam imagens históricas feitas pela Força Aérea Americana e a Força Aérea Real Britânica.

2. A população judaica

Antes da Segunda Guerra Mundial, cerca da metade dos 14 mil habitantes de Oswiecim eram judeus. Enquanto o número de habitantes de origem alemã era insignificante, a comunidade judaica havia crescido fortemente devido à imigração. Isso mudou abruptamente depois da ocupação militar do país pelas tropas de Hitler, que invadiram a Polônia em 1º de setembro de 1939.

A população judaica teve que dar lugar a alemães reinstalados pela “limpeza racial” promovida pelos nazistas. Os judeus poloneses que restaram passaram a viver aglomerados em pequenos espaços, isolados do resto da população. A partir de 1940, muitos deles foram utilizados pela SS como mão de obra barata na expansão do campo de concentração.

3. Localização estratégica

A cidade de Oswiecim estava localizada num cruzamento ferroviário no leste, de interesse estratégico dos nazistas: aqui as linhas ferroviárias do sul, de Praga e Viena, cruzavam com as de Berlim, Varsóvia e das áreas industriais do norte, da Silésia.

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