A participação do policial militar Luiz Paulo Dominguetti Pereira, que se apresenta como representante da empresa Davati Medical Supply, foi visto como um “cavalo de Troia” do governo Bolsonaro na CPI da Covid, nesta quinta-feira (1º).

da RBA 

Durante seu depoimento, ele tentou atribuir a intermediação da compra de vacinas ao deputado Luis Miranda (DEM-DF), mas foi desmentido.

Dominguetti foi convocado à CPI da Covid após afirmar que o Ministério da Saúde pediu propina de US$ 1 para acertar a compra da vacina Astrazeneca. Ele confirmou o caso na oitiva e atribuiu o crime ao ex-diretor de logística do Ministério da Saúde Roberto Ferreira Dias. Entretanto, apresentou um áudio contra Miranda, que revelou, na última sexta-feira (25), outra denúncia de um suposto esquema de corrupção no governo Bolsonaro na compra da Covaxin, com possível prática de prevaricação por parte do presidente.

A tentativa de desacreditar Luis Miranda foi apontada como um “cavalo de Troia” do governo Bolsonaro, nas redes sociais. “Esse Dominguetti é cavalo de Troia. Quem plantou esse cara?”, questionou o jornalista Leandro Demori. “Tudo indica que Dominguetti foi utilizado para tentar desqualificar a denúncia dos irmãos Miranda”, comentou também o deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP).

O deputado Luis Miranda desmentiu a versão de Dominguetti e disse que o áudio tratava da venda de luvas. A informação foi confirmada por outro representante da Davati Medical, Cristiano Alberto Carvalho, ao jornal O Globo. O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) ironizou a atitude do depoente. “Melhor resumo até agora: o mal do malandro é achar que só a mãe dele fez filho esperto. Esse depoimento vai render”, tuitou.

Tática militar

O jornalista Rodrigo Vianna fez uma sequência de postagens mostrando a cronologia do depoimento de Luiz Paulo Dominguetti. Ele lembra que o depoente foi convocado para falar sobre a proposta de propina de Roberto Dias e, sem motivos, apresentou um áudio do deputado Luis Miranda.

“Dominguetti, ao mostrar áudio, tenta induzir senadores à ideia de que Miranda, ao dizer no áudio ‘mermão…’, se referia ao irmão como comprador de vacina numa outra negociação paralela. Dominguetti se trai ao vivo ao dizer que ‘Miranda veio na CPI para acusar o presidente’”, acrescentou o jornalista.

Vianna afirma que tudo indica que o depoimento de Dominguetti foi um “cavalo de Troia”, “Abateu de uma vez Ricardo Barros e ao mesmo tempo Miranda, gerando caos à CPI. Parece uma operação de contra inteligência militar. Dominguetti é cabo da PM de Minas. Ninguém vai perguntar como um cabo passa uma semana em Brasília negociando vacina? Quem autorizou? Esse Dominguetti tem pinta de P2”, alertou.

Até Flávio Bolsonaro defendeu

Nas redes sociais, internautas questionaram o fato de senadores da base governista defenderem o depoimento de Dominguetti que, em tese, seria ruim ao presidente Jair Bolsonaro. Até o senador Flavio Bolsonaro (Patriota-SP) interveio em favor do depoente.

“Por que Flávio Bolsonaro está defendendo alguém que foi depor sobre corrupção no governo de seu pai? É guerra de bandido com táticas de milícia”, postou o jornalista e escritor André Fran, em seu perfil no Twitter.

Relator da CPI, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) pediu a apreensão do celular do empresário Luiz Paulo Dominguetti Pereira. O aparelho telefônico foi encaminhado para perícia. “Há senadores preocupados com o pedido de apreensão do telefone de Dominguetti. Flávio Bolsonaro é um deles. Renan mandou bem. Governistas estão defendendo demais um denunciante de corrupção no Ministério da Saúde”, comentou o também jornalista Kennedy Alencar.