Oposição pode lucrar com a briga na base situacionista pelas vagas na chapa do governo.

Marcus Vinícius de Faria Felipe

Será necessário muita habilidade do governador Ronaldo Caiado (DEM) para não entornar o caldo da sua reeleição. Por enquanto o inquilino da Casa Verde está voando em céu de brigadeiro. Tudo azul:

– Os prefeitos do MDB – a exceção de Gustavo Mendanha, de Aparecida -, estão todos fechados com o Palácio das Esmeraldas;

– O PSDB, principal adversário, perde prefeitos e deputados na Assembleia Legislativa;

– A oposição ainda não tem candidato definido, e também não possui unidade.

É tudo que Caiado poderia pedir para Papai Noel. Melhor que isto, só vencer por W.O.

Mas em se tratando de política, nada é previsível.

Fui criado em Ceres, cidade que nos anos 1950 e 1960 foi grande produtora de arroz. Na minha infância, nos anos 1970, a cidade produzia menos, mas tinha o maior número de máquinas de beneficiamento de arroz do Vale do São Patrício. Montanhas de cascas de arroz ficavam do lado de fora e eram o objeto de diversão de meninos e meninas, que subiam naqueles montes, brincando como se fosse uma neve amarela. Mas a palha de arroz guardava um perigo: na parte de cima, tudo estava bonito, mas no fundo do monte, com o tempo, começava uma fermentação e embora não se visse a fumaça, estava pegando fogo debaixo daquilo tudo. Foi a morte de uma criança que fez os donos das máquinas proibirem a presença de garotos e brincadeiras naqueles montes.

Linconl Tejota e Elias Vaz colocaram tempero na sucessão

Pois também está assim o governo Caiado: na superfície, tudo bem, no profundo dos bastidores, pega fogo a briga pelas vagas de vice e de senador na chapa.

O vice atual, Lincoln Tejota (PROS) mandou recado via coluna Giro, dizendo que Caiado tem compromisso com sua manutenção. Lincoln disse ao jornalista Caio Henrique Salgado que o seu partido, o PROS, está pronto para receber o presidente da Assembleia Legislativa, Lissauer Vieira, desde que ele seja candidato a deputado federal.  A ameaça realmente existe, pois Lissauer tem sido um dos principais articuladores políticos do governo, e por isto cresce o apoio no meio político à sua condução à vice de Caiado.

Não para aí.

Suplente de Caiado nas eleições para o senado em 2014, Luiz do Carmo assumiu o mandato de senador com a eleição do titular ao governo do Estado em 2018. Tomou gosto e quer ficar. Ele tem o apoio da influente Igreja Assembleia de Deus, cujo o irmão, o Bispo Oídes José do Carmo preside o Campo Campinas.

E aí mora o perigo.

O ex-prefeito Iris Rezende Machado teria a preferência de Caiado para a vaga no Senado. Iris não confirma a candidatura, mas é inegável que seu nome preenche com sobra os requisitos para a vaga.

E tem mais. O presidente estadual do MDB, Daniel Viela, também entra na conta.

Daniel é visto como o nome ideal levar o MDB, de corpo, alma e CNPJ para a coligação governista.

Mas se Daniel for vice, como fica para Iris e Ze do Carmo? E o que dirão Linconl e Lissauer?

Fica mais confuso ainda.

Se Lincoln perder a vice para Daniel ou Lissauer, aumentara a pressão sobre o candidato ao Sensdo e o mais provável é que outro parlamentar ligado a chamada Bancada da Bíblia entre forte na disputa: João Campos do Republicanos, partido ligado a Igreja Universal e ao prefeito de Goiânia, Rogério Cruz. Campos tem interesse na cadeira de senador. Ou seja, mais dor de cabeça para Caiado

Pensando agora o contrário, que Caiado mantenha Linconl na vice, e que o MDB perca a representação na chapa governista, como irá se comportar o partido?

A rigor, Daniel Vilela não precisa de Ronaldo Caiado para retomar o seu mandato de deputado federal, interrompido pela candidatura ao governo do Estado em 2018.

E toda esta situação posiciona um novo jogador neste tabuleiro, no caso, o prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha (MDB).

Mendanha, a rigor, não é candidato. Seu nome é citado, e tem sido incensado por líderes oposicionistas que consideram sua administração um exemplo para todo o Estado. A votação recorde, com mais de 96% dos votos, também o cacifou a sonhar com vôos mais altos.

E nesta semana, um novo elemento foi colocado: a oferta do deputado federal Elias Vaz, de que o seu partido, o PSB, garante a legenda para que ele possa disputar o governo do Estado, numa articulação que envolve outros partidos de centro-esquerda no apoio a candidatura do ex-presidente Lula.

Elias posiciona Gustavo num jogo maior.

Caiado que foi o principal apoiador de Bolsonaro nas eleições presidenciais em 2018, está correndo de um novo compromisso com o mandatário que está em queda absoluta nas pesquisas.

Lula, por outro lado, cresce a cada levantamento, e caminha para uma vitória no primeiro turno nas eleições presidenciais.

O MDB  é um partido pragmático. Se tiver espaços no poder, vai marchar com Caiado. Se não tiver, pode redefinir sua posição.

Gustavo não é candidato.

Mas pode vir a ser.