Países árabes descredenciam frigoríficos brasileiros que exportam carne de frango e bovinos após declarações do presidente brasileiro de que vai transferir embaixada do Brasil para Israel, conforme também prometeu o presidente norte-americano Donald Trump.

 

A política externa do presidente Jair Bolsonaro (PSL-RJ) já começa a trazer prejuízos ao Brasil. A decisão de Bolsonaro de acompanhar a política externa norte-americana pode custar o mercado do mundo árabe, no qual o Brasil é um dos grandes exportadores de carnes de aves e bovinos. Na tarde desta terça-feira a bolsa registrou queda de 3,5%  nas ações da BRF (BRFS3). De acordo com o jornal Folha de São Paulo, a queda reflete a notícia de que a Arábia Saudita, maior importadora de carne de frango do Brasil, desabilitou cinco frigoríficos da lista dos exportadores brasileiros para o país árabe.

Segundo a Folha  67 frigoríficos estão habilitados a exportar para a Arábia Saudita, mas apenas 30 efetivamente exportavam. Agora, restam 25. Entre as cinco unidades descredenciadas pelos árabes estão unidades da BRF e JBS.

Às 12h57 (de Brasília), os papéis da BRF caíam 3,67%, cotados a 23,59 cada um, liderando as perdas do Ibovespa na sessão. Enquanto isso, o principal índice da Bolsa recuava 0,13%, aos 95.881 pontos.

De acordo com pessoas do setor de avicultura ouvidas pela coluna Mercado Aberto, da Folha, a retirada de empresas brasileiras do mercado da Arábia Saudita pode ser o começo de barreiras econômicas colocadas devido intenção do presidente Jair Bolsonaro de transferir a embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém, em Israel. Bolsonaro anunciou a intenção de mudar a embaixada para Israel ainda em dezembro, antes de assumir a presidência, afirmando que seguiria a decisão dos Estados Unidos, em 2017 que instalou sua representação diplomática oficial em Jerusalém.

O Brasil é o maior exportador de carne Halal do mundo, isto é, com os animais abatidos sem sofrimento, seguindo os preceitos da religião muçulmana. Nos frigoríficos certificados por religiosos muçulmanos, as linhas de abate, por exemplo, estão voltadas para a Meca. No ano passado, as exportações de frango Halal, por exemplo, renderam ao País US$ 3,2 bilhões e responderam por 45% das receitas totais de vendas externas do produto, segundo dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)

 

Lobby evangélico

Além de alinhar a política externa brasileira a dos Estados Unidos,  Bolsonaro cede ao lobby de lideranças neopentecostais, como o pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus, que ameaçou o presidente dizendo que, caso ele não transfira a embaixada em Israel de Tel Aviv para Jerusalém, o governo  pode perder apoio da bancada evangélica.

Eu avalio que ele vai perder crédito para caramba, muito. Ninguém pediu para ele fazer nada, ninguém pôs faca na garganta. Então, agora é melhor ele cumprir, ou então vai ficar chato. Vai ficar muito ruim para ele com a comunidade evangélica. Ele vai perder muita coisa  — afirmou. —  São mais de 130 deputados evangélicos nesta nova legislatura. Ele tem que saber o que ele quer.

Malafaia, que fez sua declaração a jornalistas no Rio de Janeiro, após um encontro do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, com representantes da comunidade evangélica brasileira, afirmou que um “dos motivos do apoio da comunidade evangélica a Bolsonaro foi exatamente esse”, em referência à transferência da missão diplomática.

ONU é contra

No final de 2017, os Estados Unidos tomaram a decisão, sem precedentes na comunidade internacional, de reconhecer Jerusalém como capital de Israel, medida seguida somente pela Guatemala desde então.

A transferência viola a lei internacional, que, em resoluções da ONU, determina que o destino da cidade sagrada para as três religiões monoteístas deve ser decidido em negociações entre Israel e os palestinos, que reivindicam o setor árabe da cidade como capital do seu futuro Estado.

 

Brasil vende US$ 10 bi aos árabes e apenas US$ 3120 milhões  a Israel

No levantamento, elaborado com base em dados do Sistema Integrado de Comércio Exterior Brasileiro (Siscomex), a entidade destaca que os países árabes são o 5º principal destino de produtos brasileiros. Compraram cerca de US$ 10 bilhões de janeiro a setembro de 2018. O Brasil tem déficit na balança comercial com apenas quatro, dos 22 países árabes: Argélia, Marrocos, Arábia Saudita e Catar. Entre janeiro de dezembro de 2018, o Brasil exportou 312 milhões de dólares para Israel e comprou US$ 1.;168 bilhão, ou seja, ficou com um décifit de US$ 847 milhões na compra de produtos eletrônicos

Os líderes evangélicos brasileiros não tem o pé nem na realidade, nem na economia. A comunidade muçulmana  soma mais de 1,8 bilhão de pessoas no mundo – cerca de 25% da população mundial. De acordo com estimativa do instituto americano Pew Research Center, a população de muçulmanos crescerá 73% entre 2010 e 2050, quando alcançará a marca de 2,76 bilhões de pessoas. A interferência religiosa é uma merda com “M” maísculo, a interferência evangélica no comércio exterior do Brasil e só piora com a orientação do astrólogo Olavo de Carvalho, mentor intelectual do chanceler brasileiro Ernesto Araújo. Olavo é contra árabes, chineses e defende o que o Brasil deve ter como parceiro preferencial (senão único) os Estados Unidos. A China é o destino de mais de um terço das exportações brasileiras, e os EUA consomem menos de 12%.

Quando a BRF quebrar, os produtores de frango e bovinos ficarem sem tem para quem vender a produção e os fiéis das igrejas ficarem desempregados e sem dinheiro para pagar o dízimo, aí talvez caia a ficha de Malafaia e outros líderes evangélicos que estão embarcando o Brasil nesta barca furada.

Goiás

Em 2018, a China ocupou o primeiro lugar no ranking dos destinos dos produtos goianos, cujo total das vendas alcançou US$ 193,7 milhões no período de janeiro a setembro de 2018. Dentre os principais produtos comprados: complexo soja, as carnes bovinas, as ferroligas, açúcar, couros e derivados, entre outros.Os países baixos (Holanda) ficaram em segundo lugar no ranking dos países de destino das exportações goianas totalizando US$ 47,5 milhões em produtos como o complexo soja, as ferroligas, as carnes bovinas, as carnes de aves, gelatinas e derivados, mangas frescas ou secas, açúcar e gengibre.O Irã ocupou o terceiro lugar, adquirindo 5,36% dos produtos exportados por Goiás. Seguido pelos Estados Unidos, Hong Kong, Egito, Reino Unido, Arábia Saudita, Emirados Árabes e Itália.