Deputados, lideranças políticas, empresariais e sindicais cobram mais abertura do governo às suas reivindiçações.
 
Diálogo, o desafio do governo e do governador
Marcus Vinícius
Diálogo é  a palavra que se repete na boca de deputados e lideranças políticas quando o assunto são os cem primeiros dias de administração do governador Ronaldo Caiado (DEM). Presidentes de partido, apoiadores de campanha, prefeitos e deputados cobram do governador e de seus auxiliares, mais diálogo.
Este sentimento vale na Assembleia Legislativa para tanto para os deputados chamados independentes, quando os de oposição ou de situação.
 
Alerta
Ex-prefeito de Anápolis Antônio Roberto Gomide (PT) analisa que o governador ainda não saiu do palanque e que o desejo da sociedade é que apresente suas propostas, delineando o norte do seu governo.
“São cem dias que o povo goiano está aguardando o governador Caiado apontar um caminho positivo para Goiás. Nós não tivemos nenhuma ação que venha ao encontro de termos a esperança de uma saúde melhor, uma geração de empregos, ou a expectativa de pagamento de salários no mês trabalhado. São cem dias de um governo que ainda não saiu da campanha eleitoral. É preciso avançar. A população elegeu um novo governo para poder pensar para frente, para ir para por um  caminho novo, e isto ainda não ocorreu. A população está aguardando qual será este caminho”, frisa
No seu segundo mandato, Virmondes Cruvinel Filho(PPS) avalia que  estes cem dias representaram um momento de observação,  onde considera que houve maturidade do governo em retomar o diálogo com o Poder Legislativo e diz que esta também é a expectativa de outros setores sociais.
“Nosso entendimento é de que  entidades ligadas aos setores produtivos, entidades de classe, prefeitos, lideranças municipais merecem este diálogo,  neste momento quando o governo se fechou nas questões internas da estrutura administrativa.  Mas a expectativa para os próximos meses é que se tenha diálogo numa amplitude maior, ouvindo lideranças de todo o Estado e abrindo o Palácio para que esta conversa possa ser franca e com resultado para as pessoas”, pontua.
 
Reconhecimento
Na coluna Giro do jornal O Popular de segunda-feira (15/04) o jornalista Marcos Nunes Carneiro trouxe entrevista com o governador onde ele concorda sobre a necessidade de mais diálogo. Caiado confirmou ter ciênia das reclamações feitas por deputados de sua base de sustentação de que os secretários estaduais estão dificultando o acesso  a informações e ao atendimento de demandas e de nomeações.
“Deputados tem total razão em reclamar do tratamento de alguns secretários”, diz  o governador.  “Já determinei a todos os meus secretários que revisem esta prática. Não vou admitir de maneira nenhuma que os deputados não tenham atendimento correto e não tenham as informações repassadas”, enfatiza. Ele pondera  aos deputados  que “numa chegada de emergência, tenham o mínimo de paciência para aguardar o atendimento”.
Ainda segundo a nota, Caiado pretende realizar reuniões com as entidades empresariais a cada 60 dias, priorizando o contato com Fieg, Adial e Fecomercio. Já é um começo.
Filiado ao mesmo partido do governador, o DEM, o deputado estadual Chico KGL é otimista. Salienta que Caiado assumiu o estado com numa situação financeira grave e que os primeiros dias são de ajuste. Considera correto o fato do governador não ter mudado o seu discurso e confia que ele vai apresentar resultados positivos à sociedade.
“Temos um governador que não mudou o discurso, ele ganhou com um discurso e está governando com este discurso. Temos um governador que não está envolvido em escândalos. Hoje a Polícia Federal visita a casa de ex-governador e descobre malas de dinheiro”, alfineta. Para Chico KGL o governo será melhor avaliado a partir de 180 dias. “O governador  tem trabalhado muito, está preocupado  com o pagamento do salário de dezembro dos professores e em garantir recursos para colocar  o Estado nos eixos”, garante.
Há um ditado que diz que o uso do cachimbo entorta a boca. Ao longo de sua trajetória politica o governador Ronaldo Caiado sempre se posicionou bem nos bastidores, realizando costuras políticas, ao mesmo tempo em que exercitava a sua oratória na tribuna. Os tempos agora são outros. No exercício do Executivo as demandas são maiores, os grupos de pressão tem mais representação, exigindo paciência e a negociação.
Mais diálogo. Mais abertura. Uma postura mais desarmada. O discurso da campanha, de combate à corrupção, deve ser transformado numa tarefa  delegada à PGE (Procuradoria Geral do Estado), à CGE (Controladoria Geral do Estado), e  não deve ocupar a agenda do governador, que cada vez mais terá que lidar com demandas de prefeitos, deputados estaduais, federais e das entidades classistas do Estado.
O governo tem que decidir-se: ou fica com o discurso ou prioriza a gestão. No primeiro caso, basta continuar no palanque. No segundo, é preciso construir parcerias, garantir uma base de sustentação, atender demandas, o que vai exigir muito, diálogo.