Grileiros, madeireiros ilegais, garimpeiros e milicianos não fizeram isolamento social e foram com tudo na floresta, parques e áreas indígenas, denuncia o Imazon – Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia.

Brasil de Fato (SP) – O desmatamento da floresta amazônica aumentou 171% em abril deste ano com relação ao mesmo período de 2019, de acordo com dados do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), que não é ligado ao governo. O desmatamento, o maior em dez anos no País, representa 529 km² de floresta derrubada, o que equivale aproximadamente ao território do município de Porto Alegre.

O desflorestamento se deu em em seis estados: Pará, responsável por 32% do desmatamento; Mato Grosso (26%); Rondônia (19%); Amazonas (18%); Roraima (4%); e Acre (1%). No entanto, isso se refletiu em apenas dez municípios: Altamira (PA), com 72 km²; São Félix do Xingu (PA), com 44 km²; Apuí (AM), com 38 km²; Porto Velho (RO), com 31 km²; Lábrea (AM), com 23 km²; Colniza (MT), com 22 km²; Novo Progresso (PA), com 16 km²; Candeia do Jamari (RO), com 14 km²; Cujubim (RO), com 14 km²; e Jacareacanga (PA), com 12 km². Destes, somente Apuí não está na lista de prioridades de proteção do Ministério do Meio Ambiente.

Segundo Cristiane Mazzetti, uma das responsáveis pela Campanha da Amazônia da ONG Greenpeace, o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) “implementou uma política antiambiental, que enfraqueceu órgãos de controle, seja reduzindo orçamento, seja afastando ou mudando posições estratégicas ou reduzindo o número de fiscalizações. Então, a capacidade de controlar o crime ambiental no Brasil ficou muito menor nesse governo”.

Neste abril, comunidades indígenas também foram atingidas pela devastação. Entre elas está a Terra Indígena (TI) Yanomami, localizada entre Roraima e Amazonas, que, segundo o SAD, foi a segunda TI com a maior área desmatada no mês de abril.

Durante o primeiro ano do governo de Jair Bolsonaro, o desmatamento na Amazônia foi maior em territórios com a presença de povos indígenas isolados, como comunidades Yanomami. Segundo dados oficiais do sistema Prodes (Inpe), o desmatamento nas Terras Indígenas em 2019 foi 80% maior em comparação com o ano de 2018. Já nos territórios com a presença de povos indígenas isolados o desmatamento aumentou em 113%.

De acordo com um levantamento do Instituto Socioambiental (ISA), a TI Yanomami é uma das mais vulneráveis à pandemia causada pelo novo coronavírus. E é justamente nesse período de recomendações de isolamento social que a comunidade é uma das mais atingidas pelo desmatamento, refletindo exploração ilegal no local.


Série histórica do desmatamento nos meses de abril dos últimos dez anos / Reprodução/Twitter

Edição: Vivian Fernandes