Francisco Oliveira diz que “Caiado aceitou a canga do presidente”, Antônio Gomide defende que “Caiado peça perdão aos goianos pelo apoio a Bolsonaro”, Humberto Aidar afirma que “Bolsonaro é uma desgraça e quem estiver junto vai sofrer consequências”. Legisladores de situação e oposição cobram a compra de vacinas já para imunizar os goianos

A sessão extraordinária da Assembleia Legislativa, apesar de remota, teve clima quente nesta quinta-feira, 18/03. Deputados se revezaram na cobrança do governador Ronaldo Caiado (DEM) pela compra da vacina, e em críticas ao seu alinhamento com o presidente Jair Bolsonaro.

Um dos motivos das divergências em relação a Ronaldo Caiado foi a aquisição de vacinas pelo Consórcio de Governadores do Nordeste (37 milhões de doses) e pelo governador do Maranhão (4 milhões de doses). Para os deputados de oposição, Caiado não se mobilizou para fazer compra direta, atrelado que está à política do presidente Jair Bolsonaro.

A deputada Adriana Accorsi (PT) destacou a ação do Fórum de Governadores do Nordeste que adquiriram 37 milhões de doses junto à Sputnik, após intervenção do ex-presidente Lula junto ao presidente russo Vladmir Putin, e citou também a iniciativa do governador Flávio Dino (PC do B-MA), que conseguiu comprar 4 milhões de doses.

O deputado Amilton Filho (Solidariedade) divergiu da petista. Disse que o governo está fazendo todo o esforço e que o Estado não pode se fiar neste tipo de ação, pois apesar de outros estados terem feito esta aquisição, não há data certa para chegada dos imunizantes.

Em defesa de Caiado, o líder do Governo, deputado Bruno Peixoto (MDB) e o presidente da Alego, Lyssauer Vieira (PSB) apresentaram documento emitido pelo secretário da Saúde, Ismael Alexandrino, onde ele informa que enviou ofícios aos laboratórios Jansen, Covaxin e União Química (Sputinik) pedindo compra imediata.

“Nosso governador está agindo, mas a resposta para dos laboratório, diz que a prioridade é para o governo federal”, informou Bruno Peixoto.

Repúdio a Bolsonaro

A resposta não satisfez os deputados de oposição. O deputado Francisco Oliveira (PSDB) disse que “Caiado aceitou a canga” do presidente Jair Bolsonaro, que é notadamente contra a vacina.

“O governador tem a obrigação de pressionar pela vacina juntamente com outros governadores, porque o presidente Bolsonaro é omisso, acéfalo. Por ele vai deixar morrer 10% da população, porque ele acha normal. As pessoas na saúde estão abaladas, ontem perdemos um ex-governador por falta de vagas na UTI! É o papel de todos nós deputados discutir isto. Temos a obrigação de cobrar uma postura mais séria. Como disse a deputada Adriana Accorsi e não comprarmos a vacina agora, vai chegar quando? O presidente é omisso, e temos que pressionar o governador que está aceitando a canga e deixando as coisas como estão”, protestou.

Antônio Gomide (PT), que há tempos lidera na Alego a campanha que cobra do governador “Cadê a Vacina?” disse que Caiado deve um pedido de desculpas à população goiana.


“O governador está com os pés em duas canoas, quando o presidente Bolsonaro acerta ele fica com o presidente, quando erra ele tira o pé desta canoa. Ele deve ao povo goiano um pedido de desculpas por estar ao lado de um presidente genocida. O governador tem que ter esta dignidade, de pedir desculpa, dizer que vai buscar o consórcio, dizer que vai aderir o consórcio dos governadores, dizer que acredita na vacina. E aqui a gente precisa cobrar esta atitude do governador”, sustentou.

A deputada Lêda Borges (PSDB) foi na mesma linha. Ela lembrou que o Consórcio do Nordeste foi montado no ano passado, pois os governadores já enfrentavam oposição do presidente Bolsonaro nas medidas de prevenção à pandemia.

“Porque Caiado, que sempre foi atão enérgico e ativo não liderou um movimento (de governadores) no Centro Oeste? Porque fica aliado ao Bolsonaro, que fica negando a pandemia o tempo inteiro? Hoje o senador Major Olímpio (PSL-SP) acabou de ter morte cerebral. Os pobres estão morrendo de fome e sem vacina. Um ex-governador morreu por falta de leito. Ele teve demora para ter uma UTI, então estamos vivendo momento que estamos ficando angustiados, porque precisa da vacina. Aquilo que o Consórcio do Nordeste, que foi feito pelo governador do Piauí (Wellington Dias) aquilo é união, aquilo é ação”, enfatizou.

Emocionado, o deputado Humberto Aidar (MDB) também entrou no debate e não poupou críticas ao presidente Jair Bolsonaro.

“Me desculpem os colegas mas este presidente Bolsonaro é uma desgraça!. Vou repetir, é uma desgraça! Este governo Bolsonaro é uma desgraça. Cuba, que é uma ilha com 11 milhões de habitantes e que vive uma crise danada, está fabricando quatro vacinas, e o governo Bolsonaro, que é uma desgraça, não toma atitude. Não compra vacina. E eu digo que quem estiver com ele vai pagar o preço, porque a população está olhando, vai dar resposta disso tudo”, profetizou.

Iquego

Os deputados Henrique Arantes (MDB) e Tales Barreto (PSDB) analisaram a possibilidade da Iquego (Industria Química do Estado de Goiás), produzir o imunizante para a população. Henrique Arantes lembrou que a empresa, que foi criada no governo de Mauro Borges (1961-1965), é um laboratório estatal que produz inclusive os medicamentos que compõe o coquetel antiviral para o tratamento do HIV. Tales Barreto observou que a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) está desenvolvendo uma vacina nacional. Ele sugeriu que o governo de Goiás faça parcerias com a UFMG, UFG e UEG para que a Iquego produza o imunizante no Estado.

Compra direta

Vários deputados lembraram que o Estado pode adquirir diretamente a vacina, com recursos do tesouro. Os deputados Delegado Eduardo Prado (DC) e o deputado Antônio Gomide (PT) ressaltaram que durante audiência na Comissão de Saúde, o secretário Ismael Alexandrino confirmou que o Estado pode comprar vacinas pela Fonte 100 (tesouro direto).

Na interpretação dos deputados, por esta fonte o Estado pode adquirir os imunizantes e assim, garantir para Goiás as doses que a população precisa, destinado também um percentual para o Plano Nacional de Imunização.

O líder do governo, Bruno Peixoto, exortou os deputados pela criação de uma comissão de deputados para acompanhar a questão da aquisição da vacina, dando transparência a esta questão.