Durante votação de decreto que prorroga Estado de Calamidade Pública em Goiás, deputados bolsonaristas  cobraram governo estadual pela aquisição de vacinas.

Nem os deputados bolsonaristas na Assembleia Legislativa de Goiás perdoam os governos estadual e federal pela falta de vacinas. Durante a votação do Decreto 4746/2021, que prorroga por mais um ano o Estado de Calamidade Pública em Goiás, os deputados do PSL, Major Araújo e Delegado Humberto Teófilo se revezaram na tribuna para criticar a prorrogação, por considerar que o governo não cumpriu compromissos assumidos pelo governo.

Teófilo questionou o governo do Estado sobre o crédito extraordinário de R$ 60 milhões, aprovado pela Assembleia Legislativa, para a compra de vacinas.

“O que foi feito dos 60 milhões para a aquisição de vacinas? O que foi feito deste dinheiro?, questionou Teófilo.

 

Para Humberto Teófilo a intenção do governo com a prorrogação do Decreto 4746/2021 é manter o congelamento de salários e direitos dos servidores públicos.

Na sequência Major Araújo disse que não concordava em dar carta branca ao governo, pois o decreto de Calamidade Pública libera o governo de cumprir as metas da Lei de Responsabilidade Fiscal, permitindo compras sem licitação.

“O governador Ronaldo Caiado fica alisando o isopor na hora que chegam as vacinas mas não tem mérito para a aquisição das vacinas. É por pura incompetência do governo não tem comprou as vacinas. Em Goiás tem prefeito do DEM que vai comprar vacina. Ele inclusive usa recurso de emenda parlamentar nossa, entrou num consórcio de prefeitos e vai comprar vacina. Porque Caiado não compra”, cobrou.

Araújo não nominou o prefeito, segundo ele, por temer que seja ameaçado pelo governo. Ele também elogiou a iniciativa do prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha, que na condição de vice-presidente da Consórcio Nacional das Vacinas das Cidades Brasileiras está à frente da compra de 60 milhões de vacinas.

Líder do governo na Alego, o deputado Bruno Peixoto (MDB) rebateu. Disse que o governo Caiado enviou propostas de compras de vacinas para os fabricantes de imunizantes aprovados pela Anvisa mas não obteve resposta.

“Nós estamos vivenciando ela [a calamidade], é uma pandemia, é mundial. Nós ouvimos a ciência, os técnicos, a Universidade Federal. Nós acompanhamos a Organização Mundial de Saúde porque nós buscamos salvar vidas, nós trabalhamos com esse intuito”, justificou Bruno.

A prorrogação do Estado de Calamidade Pública foi aprovada por 24 votos a 3, inclusive de deputados da oposição, como Antônio Gomide (PT), que no seu voto cobrou a criação de um  programa de Renda Mínima.

 “Além da calamidade da pandemia do coronavírus, há também a calamidade da fome. Milhares de famílias passam fome em Goiás”, disse Gomide.

Antônio Gomide também alertou que 18 estados brasileiros, além do Distrito Federal lançaram programas de auxílio às famílias em situação de miséria absoluta.

Governadoria justifica que a expectativa era de que a situação de emergência já estivesse controlada, o que não aconteceu. “Ao contrário, o cenário que ora se apresenta é de recrudescimento da crise sanitária decorrente da contaminação pelo novo coronavírus. Como resultado disso, o que se prevê é que as receitas públicas sejam ainda mais reduzidas e que as despesas do Estado de Goiás com medidas para atenuar a crise sofram incrementos consideráveis”, diz a justificativa da proposta.