Deputado estadual bolsonarista,  que participa da base do governador Ronaldo Caiado (DEM) tentou sabotar realização do evento que reuniu lideranças que lutaram pela anistia e parentes de mortos e desaparecidos políticos da ditadura militar.

 

Renato Dias

 

Um incidente desagradável marcou o ato dos 40 anos da sanção da Lei de Anistia, realizado na última quarta-feira, em Goiânia. A concentração foi realizada na Catedral Metropolitana,  que nos anos de chumbo, foi alvo de invasão policial e de tiroteio que atingiram dois estudantes, em 2 de abril de 1968, Telmo de Faria, um dos sócio-proprietários do semanário Cinco de Março, com Batista Custódio, e Lúcia Jayme.

A caminhada saiu em direção ao Bosque dos Buritis, no Setor Oeste, local onde está o Monumento aos Mortos e Desaparecidos Políticos à época da ditadura civil e militar. Uma obra construída sob a gestão do então prefeito de Goiânia, Pedro Wilson Guimarães [PT], que entre 1976 a 1979 foi presidente do comitê pela Anistia em Goiás.

Antes do término da manifestação, do dia 28 de agosto de 2019, o deputado estadual do PSL Paulo Trabalho, alinhado ao presidente da República, Jair Bolsonaro [PSL], defensor do golpe de Estado civil e militar de primeiro e 2 de abril de 1964, da tortura e do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, comandante do DOI-CODI [SP], de 1969 a 1974, subiu no monumento, começou a gritar impropérios e tentou impedir o discurso de Pinheiro Salles. Jornalista, membro da Fenaj, Pinheiro Salles passou nove anos nas masmorras da ditadura sob torturas e privações.

Paulo Trabalho bradava que não existiu ditadura, xingava os manifestantes, e levou assessores para tentar intimidar os participantes do evento, à maioria pessoas da terceira idade, acompanhada de filhos e netos.

Testemunhas

O destempero verbal e emocional do parlamentar do PSL,  mesma sigla do inquilino do Palácio do Planalto, foi testemunhada pelo presidente da Central Única dos Trabalhadores Mauro Rubem de Menezes, ex-vereador em Goiânia  e ex-deputado estadual. Assim como pela ex-secretária municipal de Educação Walderês Nunes Loureiro. A denúncia é do gestor cultural Milton Gonçalves Júnior, ex-assessor especial da Secretaria de Cultura da Prefeitura de Goiânia, auxiliar da deputada estadual Adriana Accorsi. Inaceitável, dispara.

A Constituição federal, promulgada em 5 de outubro de 1988, pelo senhor dignidade Ulysses Guimarães, garante o direito à livre manifestação e de opinião, sublinha o ativista político pela Memória, Justiça e Verdade. Tempo de sombras, o das ditaduras civis e militares no Brasil e na América Latina, um passado que não passa, desabafa.

O deputado cometeu um desrespeito às vítimas da repressão política e militar dos anos de chumbo e de ouro,  enfatiza.

Não custa lembrar: a Lei de Anistia foi sancionada em 28 de agosto de 1979 pelo general João Figueiredo. A  reportagem não conseguiu localizar até o fechamento da edição o deputado estadual Paulo Trabalho. Em seus telefones: 62 – 3- 221 – 3104; 62 – 3- 221 – 3119; 62 – 3 – 221 – 3431.

Deputado bolsonarista, Paulo Trabalho (PSL) tenta atrapalhar ato pelos 40 anos da Anistia