A deputada Natalia Bonavides (PT-RN) informou em suas redes sociais que foi ao Supremo Tribunal Federal contra o presidente que ameaçou “dar porrada” em jornalista que perguntou por que Fabrício Queiroz depositou R$ 89 mil na conta da primeira-dama Michele Bolsonaro.

A ameaça de agressão física do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) a um repórter do jornal O Globo, levou a deputada petista Natália Bonavides (RN) ingressar no Supremo Tribunal Federal. Pelas redes sociais, Natalia informou:

“Acabo de protocolar no STF denúncia contra Bolsonaro por crime de constrangimento ilegal. Hoje ele ameaçou agredir um jornalista para impedi-lo de fazer seu trabalho. Bolsonaro é um delinquente contumaz! (À proposito, por que Michelle Bolsonaro recebeu R$ 89.000,00 de Queiroz?), questinou.”

Noutro post no twitter, Natália Bonavides ressalta que “mais uma vez, a resposta de Bolsonaro a perguntas sobre os casos de corrupção ligados a ele e à sua família é o ataque à imprensa. Hoje ele falou que queria encher a boca de um jornalista de porrada. Não podemos esperar pelo que ele pode fazer amanhã! #ForaBolsonaro .

O partido de Natália Bonavides, o PT, foi o principal alvo da guerra midiática que se iniciou em 2013 através da TV Globo e do jornal O Globo. As marchas de 2013 foram amplamente apoiadas pela Globo que incentivava que o povo fosse às ruas para protestar. Estes protestos animaram grupos de extrema-direta e foram o estopim para a campanha de impeachment da presidenta Dilma Roussef (PT). Novamente as Organizações Globo (rádio, tv e jornal) deram ampla cobertura desfavorável à presidente e ao PT, contribuindo para o golpe parlamentar, articulado pelo então presidente da Câmara, Eduardo Cunha (MDB), que depois viria a ser preso por corrupção. Os principais grupos midiáticos do Brasil (Globo, Folha, Estadão), continuaram a guerra midiática durante a campanha eleitoral, tratando Jair Bolsonaro como um candidato do campo democrático, embora ele tenha declarado seu apoio a ditadura, a tortura, as milícias e a agressões contra negros, índios, homossexuais e movimentos sindical e comunitário.

Globo, Folha, Estadão e outros veículos colhem agora o que plantaram: um presidente que é contra a liberdade de imprensa e abertamente favorável a implantação de um Estado Policial, conforme foi demonstrado pelas ações do Ministério da Justiça, “fichando” adversários do regime, como era prática durante a ditadura (1964-1985).

 

OEA

O senador Ranfolfe Rodrigues (Rede-AP)também se posicionou via twiter, e disse que irá a OEA contra o presidente:

“Superamos a ditadura, somos uma democracia e Bolsonaro tem que respeitar os direitos adquiridos. Iremos apresentar denúncia à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA para que o órgão acompanhe a violência contra a liberdade de imprensa no Brasil”.

Na representação,Randolfe pede que seja nomeado um observador externo para vir ao Brasil para acompanhar a situação da liberdade de imprensa.

No documento, o senador cita levantamento da Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj), que apontou a ocorrência de 32 ataques dirigidos a jornalistas específicos ao longo de 2019.

Edison Lanza, o relator de liberdade de expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH),  se pronunciou sobre a ameaça feita por Jair Bolsonaro a um repórter do jornal “O Globo” neste domingo 24, quando ouviu uma pergunta incisiva sobre o caso Queiroz e respondeu que agrediria o repórter autor do questionamento.

“Não consigo encontrar um exemplo da hostilidade mais grosseira de um alto funcionário à imprensa e de expor o jornalista à violência”, afirmou Lanza em seu Twitter.

Lanza será o primeiro a analisar a representação feita pelo senador Randolfe Rodriges,  que pede para que o órgão acompanhe as violações contra a liberdade de imprensa no Brasil.

Com informações da Revista Época