João Pedro e João Vitor: mortos em operações policiais esta semana no Rio de Janeiro (Reprodução)

Créditos da foto: João Pedro e João Vitor: mortos em operações policiais esta semana no Rio de Janeiro (Reprodução)

A bala – uma das 72 disparadas dentro da casa em que estava – atravessou o corpo do adolescente, que só foi localizado pela família no dia seguinte, 17 horas depois que o helicóptero da PM o levou, supostamente para socorrê-lo. A declaração posterior das forças de segurança do Rio foi a de que “João Pedro era inocente”. Dois dias depois, durante uma ação da comunidade para distribuição de cestas básicas na Cidade de Deus, no Rio de Janeiro, João Vitor, de 18 anos, foi baleado pela PM, durante outra operação. Desde 15 de março, segundo a Rede dos Observatórios da Segurança, a polícia do Rio matou pelo menos 69 pessoas em operações monitoradas.

Em nota divulgada na terça-feira, antes mesmo da morte de João Vitor, a Anistia Internacional, a Justiça Global e o Coletivo Papo Reto exigiram explicações do Governo do Estado e do Ministério Público Estadual, que tem o dever constitucional de controle externo da atuação da polícia. “Qualquer operação policial deve seguir padrões de respeito à vida e à segurança das pessoas e, em meio a uma pandemia, quando todos os esforços deveriam estar voltados para garantir saúde e vida da população, o Estado do Rio de Janeiro se faz presente nas favelas do Estado levando violência e morte”, declarou Jurema Werneck, diretora executiva da Anistia Internacional no Brasil.

Política da morte

Para especialistas e defensoras de direitos humanos ouvidas pela CARTA MAIOR, as mortes ocorridas em operações não são, entretanto, erros ou danos colaterais da atuação da polícia. Elas fazem parte de uma política de segurança pública que tem o objetivo de exterminar a população periférica e negra do país. E, se antes, a justificativa dada era a de que os mortos eram suspeitos ou bandidos, a banalização da violência alcançou níveis tão altos que, agora, vale tudo.

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