Vacina era vendida a US$ 1,34, mas governo pagou US$ 15, valor U$ 5 mais caro que a Pfizer, que Bolsonaro recusou oferta por nove meses.

compra superfaturada da vacina Covaxin, que pode se tornar o maior escândalo do governo Bolsonaro na pandemia, foi a única para a qual houve um intermediário, a empresa Precisa.

O preço da compra foi 1.000% maior do que, seis meses antes, era anunciado pela própria fabricante. Todas as demais foram negociadas diretamente com os fabricantes.

Uma das sócias da Precisa está envolvida com um escândalo de mais de R$ 20 milhões, do período em que o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros ( PP), foi ministro da Saúde, no governo Temer (2016-2018).

Segundo um servidor do Ministério da Saúde ao Ministério Público, houve “pressões anormais” para a compra da vacina, com “mensagens de texto, e-mails, telefonemas, pedidos de reuniões” fora de seu horário de expediente, em sábados e domingos. O depoimento está em poder da CPI, segundo  reportagem de Julia Affonso, publicada no jornal Estado de S. Paulo.

Osmar Terra

O primeiro a ser ouvido pela CPI da Covid esta semana será o deputado federal Osmar Terra (MDB-RS), hoje (22).

Em seguida, na quarta, a comissão ouve o empresário Francisco Emerson Maximiano, sócio da Precisa Medicamentos. Isso porque a empresa intermediou a compra da vacina indiana Covaxin por US$ 15 a dose, 1.000% mais cara do que o valor informado seis meses antes.

Desse modo, a CPI entra esta semana na terceira fase. Depois de investigar o negacionismo do governo de Jair Bolsonaro e o “gabinete paralelo” (ou gabinete das sombras), a comissão vai se aprofundar no “caminho do dinheiro”. Assim, a investigação vai se concentrar nos lucros supostamente auferidos por fabricantes de medicamentos como hidroxicloroquina e ivermectina. E até de empresas produtoras de vacinas.

CPI vai ouvir empresário

A CPI da Pandemia vai ouvir nesta quarta-feira (23), a partir das 9h, o empresário Francisco Emerson Maximiano, sócio da Precisa Medicamentos. O depoente deve esclarecer se houve algum tipo de irregularidade no processo de compra da vacina Covaxin, produzida pelo laboratório indiano Barath Biotech.

A convocação obedece ao requerimento de autoria do senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), que quer saber dos “exatos termos das tratativas” entre a Precisa Medicamentos e o Ministério da Saúde para aquisição da Covaxin “apurando-se eventual beneficiamento ilícito”. Esse contrato foi o único realizado pelo Brasil que contou com a intermediação de uma empresa.

Uma das linhas de investigação da CPI é a apuração da negociação entre o empresário e o governo brasileiro sobre possível benefício para a aquisição de um imunizante que apresentava um preço quatro vezes maior, por exemplo, do que as vacinas que já estavam em tratativas no país, como a AstraZeneca. Os senadores buscam esclarecer também se houve alguma pressão para que a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizasse o uso do imunizante no Brasil. A compra e inclusão do imunizante no Plano Nacional de Imunização (PNI) foram realizadas antes mesmo da sua aprovação pela Anvisa.

Com Agência Senado, Estadão e RBA