Ex-senador entra com pedido de aposentadoria no Ministério Público e revela que não pretende mais disputar cargos eletivos.

Senador por dois mandatos, Demóstenes Torres anuncia que se retira das atividades políticas. Ele iniciou sua carreira em 2002 pelo PFL, quando foi o mais votado nas eleições do senado, com 1.293.352 (26,74%), ficando à frente de sua companheira de chapa, Lúcia Vânia (PSDB), que recebeu 1.057.358 votos (22,82%), e também do senador Iris Rezende (PMDB), que teve 1.047.827 (22,61%) e não garantiu a reeleição.

Em 2010, Demóstenes Torres foi novamente mais votado alcançando 2.158.812 votos (44,09%), ficando inclusive á frente de Marconi Perilo (PSDB), que teve 1.376.188 votos no primeiro turno daquele pleito.
Em 11 de julho de 2012 Demóstenes perdeu o mandato, que foi cassado em votação secretaria por 56 dos 80 senadores. Ele foi acusado de quebra de decoro parlamentar no âmbito das denúncias da Operação Monte Carlo da Polícia Federal, que apontaram seu envolvimento com o contraventor Carlos Cachoeira em irregularidades com a empreiteira Delta,que prestou serviços aos governos de Goiás e do Rio de Janeiro.

Nas eleições de outubro de 2018, Demóstenes Torres foi candidato a deputado federal pelo PTB mas não obteve sucesso. Ele recebeu 27.801 (0,92%). Em nota publicada pela coluna Giro do jornal O Popular pelo jornalista Carlos Henrique Salgado, o ex-senador anunciou sua desfiliação do PTB e que também entrou com pedido de aposentadoria junto ao Ministério Público do Estado de Goiás, onde é procurador de Justiça. “Vou ficar uns seis meses à toa, pensando na vida. Depois eu decido o que vou fazer, mas sei que pretendo me dedicar a trabalhos comunitários. Quero retribuir à sociedade o que ela fez por mim”, diz.

Ele informou ao jornalista que desde 2014 poderia ter entrado com o pedido de aposentadoria, mas pensou em fazer isso somente após as eleições de 2018, mas como o seu irmão, o também procurador de Justiça, Benedito Torres foi candidato à reeleição ao cargo de Procurador Geral do Estado, Demóstenes adiou mais um pouco o pedido de aposentadoria para votar e pedir votos para o irmão, que mais uma vez foi o mais votado na lista tríplice do MP, que será levada ao governador Ronaldo Caiado (DEM) para escolha do novo procurador geral.

Demóstenes Torres iniciou sua carreira política ao lado de Ronaldo Caiado em 2002, que a época era deputado federal e uma das principais lideranças do PFL (atual DEM) em Goiás e no Brasil. Naquele período, ele era secretário de Segurança Publica do Estado de Goiás e se notabilizou com a solução do sequestro do cantor Wellington Camargo, irmão da dupla sertaneja Zezé de Camargo e Luciano. Caiado o convidou para se filiar ao PFL e garantiu sua candidatura ao Senado, na convenção do partido, numa disputa com o deputado estadual e secretário da Fazenda Jalles Fontoura. Com o episódio da cassação, ambos romperam as relações.

Questionado sobre o que pensa sobre a gestão de Caiado à frente do governo do Estado, ele disse: “Tive momentos muito bons com ele e momentos muito ruins. Mas sinceramente acho que ele está se esforçando dentro do possível para equilibrar as contas e colocar em prática tudo que prometeu. Desejo sucesso”, resume.