Líder do PSL e líder do governo são derrotados na proposta de manter o decreto presidencial que acaba com a Lei do Direito à Informação, criada no governo Dilma Roussef, que permite o acesso por jornalistas e  qualquer cidadão brasileiro aos gastos e programas do governo federal.

A dupla Delegado Waldir (PSL-GO) e Major Victor Hugo (PSL-GO) começou mal o seu trabalho como líder do PSL e líder do Governo na Câmara Federal. Ambos foram atropelados ontem pelos deputados. Pelo placar de 367 votos contra 57 e 3 abstenções, os parlamentares rejeitaram a derrubaram o decreto presidencial assinado pelo general Hamilton Mourão (PRTB), que estabeleceu que servidores comissionados contratados nos ministérios teriam o poder de transformar em ultra-secretos documentos de interesse públicos. Com esta medida, qualquer barnabé poderia carimbar um selo de ultra-secreto num documento que teria que ficar guardado por 25 anos.
O decreto do General Mourão na prática acabava com a Lei de Acesso à informação, sancionada pela presidenta Dilma Roussef (PT) em 18 de novembro de 2011. A a lei que regulamenta o direito de todo cidadão  ter acesso a informações públicas, expresso na Constituição de 1988.  Com a edição da lei, o Brasil passou a ser o 89º país a ter uma lei desse tipo, e o 19º na América Latina. O texto pôs fim ao sigilo eterno de documentos ultrassecretos e estipula mecanismos para a divulgação e para pedidos de informação. O projeto derrotado pelos deputados era um retrocesso na transparência dos gastos e programas doas governo.
De acordo com matéria publicada pelo site Congresso em Foco, “a derrubada do decreto começou a ser desenhada na reunião de líderes nesta manhã, quando a maioria das lideranças fechou acordo com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para a análise do requerimento de urgência e do mérito do projeto, isolando o PSL de Jair Bolsonaro. A urgência foi aprovada por 367 votos, 57 contrários e 3 abstenções. Com isso, a tramitação da proposta ficou restrita ao plenário. O líder do PSL, Delegado Waldir (GO), tentou então retirar a proposição da pauta, mas sofreu nova derrota, por 325 votos a 54. Em seguida, decidiu-se pela votação simbólica, aquela em que não há declaração nominal de voto”, resume.