“Quando instituições lembram que existem, os que clamam por golpe se encolhem de medo. É o traço de covardia que caracteriza o bolsonarismo”, diz analista.

Por Eduardo Maretti, da RBA

 Uma ação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a monetização de canais que disseminam desinformação ou fake news provocou o “sumiço” de vídeos com discurso golpista de 19 canais, “todos deletados ou tornados privados pelos autores”. A informação é do analista Guilherme Felitti, fundador do @novelodata – estúdio de análise de conteúdos na web e nas redes sociais.

“Quantidade maciça de conteúdo atacando a democracia pode desequilibrar pleitos eleitorais”, diz ministro do TSE

Ontem, o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Luis Felipe Salomão, determinou às plataformas YouTube, Twitch.TV, Twitter, Instagram e Facebook a suspensão do repasse de valores a pessoas e páginas indicadas em inquérito administrativo (n° 0600371-71) que “se dedicam a propagar desinformação”.

A decisão de Salomão é baseada em investigação da delegada de Polícia Federal Denisse Dias Rosas Ribeiro, em que Jair Bolsonaro é investigado por ataques sem provas às urnas eletrônicas.

“A ação do TSE contra a monetização de canais que minam a democracia teve um efeito maior na extrema direita no YouTube do que a prisão de Roberto Jefferson.

Anteontem (16), 217 vídeos com discurso golpista sumiram de 19 canais, todos deletados ou tornados privados pelos autores”, escreveu Felitti no Twitter nesta terça-feira (17).

“Quando as instituições os lembram que existem, os bolsonaristas que clamavam por golpe se encolhem de medo. É um traço fundamental da covardia que caracteriza o bolsonarismo”, comentou.

A prisão de Jefferson, presidente do PTB, provocou o desaparecimento de 24 vídeos de cinco canais. Não por acaso, eram conteúdos que atacavam STF, TSE e os ministros Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes.

“Uma das maiores limpezas”

Os canais envolvidos na decisão de Salomão, entre outros, são Te AtualizeiFolha PolíticaTerça Livre, Oswaldo Eustáquio, Canal UniversoRAVOXJornal da Cidade On Line e o blogueiro Allan dos Santos, investigado no inquérito das fake News no Supremo Tribunal Federal.

De acordo com Felitti, o efeito da decisão do TSE não se restringe aos ataques à democracia. “Centenas de outros vídeos que não atacam TSE, STF e urna eletrônica também sumiram.” No total, foram 593 vídeos desaparecidos desde esta segunda-feira. “Foi uma das maiores limpezas diárias do monitoramento da @novelodata”, avalia o analista.

De acordo com a decisão do ministro do TSE, o modus operandi, em que os titulares/proprietários dos perfis, páginas e canais se beneficiam da monetização mediante quantidade maciça de conteúdo atacando a democracia (o sistema eleitoral), pode denotar nova modalidade de uso do poderio econômico para desequilibrar pleitos eleitorais”.

Salomão acrescenta as fraudes na urna eletrônica apontadas pelo bolsonarismo “já foram exaustivamente refutadas diante de sua manifesta improcedência, inclusive pela própria Polícia Federal”. O ministro do tribunal deu 20 dias para as plataformas indicarem “de forma individualizada os ganhos auferidos pelos canais, perfis e páginas” mencionados na decisão.

Jair Bolsonaro, por sua vez, faz que não entende a diferença entre informação e desinformação. À Rádio Capital de Cuiabá, criticou hoje ministros das cortes superiores. O presidente afirmou que Salomão, do TSE, “deu uma canetada para desmonetizar páginas de pessoas que têm criticado a falta de mais transparência no voto”. Já sobre Alexandre de Moraes, disse que “ele mesmo abre o inquérito, julga e prende”.

Braga Netto: “Não houve ditadura”

“Não considero que tenha havido uma ditadura. Houve um regime forte, isso eu concordo.” A declaração é do ministro da Defesa, general Braga Netto, em audiência na Câmara dos Deputados hoje. Segundo ele, houve “exceções dos dois lados, mas isso tem que ser analisado na época da história, de Guerra Fria e tudo o mais”.

O general negou ter tentado intimidar o senador Omar Aziz (PSD-AM), presidente da CPI da Covid, em nota divulgada com comandantes das Forças Armadas. “Não afrontamos autoridades ou instituições. Pontuamos a necessidade de respeito à honra das Forças Armadas”, afirmou hoje aos deputados.

Negou ainda que tenha enviado recado ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), com ameaças às eleições se não houvesse o “voto impresso”, conforme noticiou na ocasião O Estado de S. Paulo. “Reitero que eu não enviei ameaça alguma. Não me comunico com presidentes de Poderes por intermédio de interlocutores”, garantiu.