Iris quer completar a obra, e por isto dá sinais de que é candidato.

Marcus Vinícius

Depois de Davi, porque Michelangelo continou esculpindo? E Leonardo da Vince, porque continuou pintando depois da Mona Lisa? Após dois mandatos de governador e quatro na prefeitura de Goiânia, por que Iris Rezende quer disputar outra eleição?

A resposta, óbvia, é que um mestre nunca acha que realizou a sua obra-prima. Sempre quer mais. Esta é a questão.

Iris é um dos políticos mais longevos da atualidade. Houveram outros como ele. O saudoso Ulysses Guimarães, onze mandatos de deputado federal consecutivos (1951-1992), simbolo máximo do PMDB, aclamado como “Senhor Diretas” (1984) e “Senhor Constituinte” (1988), teve a vida abreviada aos 76 anos num desastre de helicoptero em 12 de outubro de 1992. Konrad Adenauer (1876-1967) foi o chanceler alemão mais longevo no poder (1949-1963) e exerceu a política até o final da vida, aos 91 anos.

Tudo indica que a saga deste líder político, que teve início em 1958 com a eleição para vereador na Câmara Municipal de Goiânia ainda terá mais capítulos. Iris dá sinais de que pode concorrer ao quinto mandato de prefeito da Capital. Ontem, no Diário de Goiás, o jornalista Altair Tavares percebeu um destes sinais.

Na matéria “Paulo Ortegal segue no Paço e abre caminho para Iris articular a reeleição”,  Altair foi ao ponto: Ortegal era cotado para vice. “E daí?” diria um desintendido. E daí, que Ortegal é homem de confiança de Iris. O acompanha desde quando este foi governador em 1983. A hipótese de Ortegal ser vice era vista como indicativo de que Iris terminaria o mandato, indicaria o seu secretário de confiança para vice, numa chapa que poderia ter à frente nomes como o do ex-governador e ex-prefeito de Aparecida de Goiânia Maguito Vilela (MDB) ou o senador Vanderlan Cardoso (PSD).

Mas só isto é pouco para dizer que Iris é candidato, diriam alguns. Correto. Mas há outras evidências.

Iris mantém-se focado na administração. Apesar dos percalços do coronavírus, que trouxe queda na arrecadação e com esta os transtornos que isto causa numa gestão, o prefeito está dando continuidade às obras iniciadas. É possível terminá-las até dezembro, ou será necessário mais tempo?

Digamos que o zelo de Iris pela administração lembra o cuidado de um lavrador com a terra. Primeiro ele tirou o mato, as pedras, as ervas daninhas. Depois corrigiu o solo, adubou, e então lançou as sementes. Que agricultor não quer colher o que semeou?

O recuo de Ortegal, as atitudes administrativas do prefeito demonstram que ele está no jogo e quer continuar na mesa. E como no pôquer ele é o dono da banca e dá as cartas.

O tempo conspira a favor de Iris. A pandemia trouxe uma dificuldade imensa para novos candidatos se postarem na cena política. Nas cidades onde os prefeitos tem aprovação popular, eles tem a vantagem. Naquelas onde as coisas estão bem ruins, os gestores estão contando os dias para entregar o abacaxi municipal. Iris sabe ler pesquisas e viu que continua gozando de prestígio junto ao eleitorado. E por isto é um player que pode dar as cartas, e a principal delas é a negociação para compor o vice na sua chapa.

A maior aposta é de que o vice de Iris será Maguito Vilela. Ambos andam juntos desde a eleição de 1982, e embora aja um jogo de empurra-empurra entre as  respectivas entourages,  eles se entendem e se respeitam.

  Maguito fez uma exitosa administração em Aparecida de Goiânia, e seu nome cria uma sinergia na máquina partidária, praticamente unindo as campanhas nas principais cidades da região metropolitana.

Há nomes na Câmara Municipal, onde uma nova safra de vereadores começa a desvendar os meandros da política. Especula-se ainda que o governador Ronaldo Caiado (DEM) ou o senador Vanderlan Cardoso (PSD) podem indicar o vice.

Mas é preciso analisar que o perfil de Iris é de fidelidade à sua legenda, o MDB, e é por isto que o vice deverá ser do seu partido. Este é um prognóstico que ganha reforço considerando que a tendência é de que ele não dispute um sexto mandato, caso seja reeleito.

Iris deve buscar a reeleição. Ele quer completar a obra e vai escolher o vice a quem vai passar o bastão.