Ouro ficou novamente com o americano Ryan Crouser, que quebrou o recorde olímpico três vezes. Brasileiro teve Covid-19, passou por cirurgia de hérnia e ficou sem a presença do técnico na reta final

Quinto colocado nos Jogos Rio 2016, quarto colocado no Mundial de 2019 e campeão dos Jogos Pan-Americanos de Lima, o atleta catarinense abriu 2020 no melhor de sua forma. Havia atingido a marca de 22,61m no fim da temporada anterior, recorde sul-americano da prova, e vinha em trajetória ascendente.

A pandemia, contudo, teve impacto direto no cotidiano do atleta. No período de um ano de adiamento, Darlan precisou passar por cirurgia de hérnia de disco, ele e sua família contraíram Covid-19 e o técnico do brasileiro, o cubano Justo Navarro, acabou impossibilitado de sair do país caribenho por razões sanitárias e diplomáticas. Darlan ficou sem suas orientações presenciais na reta final para Tóquio.

“Ano passado, em março, eu estava treinando super bem, vindo numa temporada a milhão, iria fazer um ano excelente, muito melhor que 2019, e aí entrou a pandemia. Tive de operar, passei por Covid, não foi fácil para a gente. É difícil falar. Quem me conhece, quem convive comigo, sabe que eu acordo sonhando, durmo sonhando, vou atrás disso todo dia, levanto cedo, vou dormir tarde quando preciso, faço de tudo para estar aqui e ter um bom resultado. Infelizmente, acontece”, lamentou Darlan.

Mesmo sob esse cenário adverso, Darlan fez o seu melhor lançamento na temporada na final disputada nesta quinta no Estádio Olímpico de Tóquio. Na primeira das seis tentativas a que teve direito, arremessou o peso de 7,26kg a 21,88. Infelizmente para o brasileiro, o mesmo trio que o deixou de fora do pódio no Mundial de 2019 teve performances inspiradas em Tóquio.

O norte-americano Ryan Crouser, em especial, não deu chances a ninguém. Três de seus arremessos quebraram o recorde olímpico de 22,52m estabelecido por ele próprio nos Jogos Rio 2016. Um deles, o último, chegou a 23,30m, bem próximo do recorde mundial estabelecido por Crouser em junho de 2021, de 23,37m. Um ouro incontestável. O pódio foi completado por outro norte-americano, Joe Kovacs, com 22,65m, e pelo neozelandês Tomas Walsh, que atingiu 22,47m para ficar com o bronze.

Em Tóquio, o país tem 52 representantes no atletismo, e 49 deles, como Darlan Romani, são integrantes do Bolsa Atleta, programa de patrocínio direto do Governo Federal Brasileiro. Darlan pertence à categoria Pódio, a principal do programa executado pela Secretaria Especial do Esporte do Ministério da Cidadania, e também é integrante do programa de Atletas de Alto Rendimento das Forças Armadas, na Força Aérea Brasileira. No ciclo entre os Jogos Rio 2016 e Tóquio 2021, o atletismo recebeu quase R$ 43 milhões de repasses diretos via Bolsa Atleta, recursos que foram suficientes para a concessão de 1.935 bolsas.

O pódio é exatamente o mesmo dos Jogos Olímpicos Rio 2016 e com os mesmos integrantes do Mundial de 2019, com a única diferença de que os americanos trocaram de lugar no torneio disputado em Doha, no Catar. Lá, Kovacs foi campeão e Crouser, o vice.

“Acho ainda está tudo muito aflorado. Estou ainda no calor do que está acontecendo. Vou colocar a cabeça no lugar, do mesmo jeito que superei em 2019 o quarto lugar no Mundial e em 2020 vim com força total. Quarto lugar não é ruim, mas o sonho é maior. Eu batalho por isso todos os dias. Eu quero muito isso para mim e para minha família. Vou voltar ao Brasil, ver minha família e voltar aos treinos. Continuar lutando, 200%, 300%, 400% a mais. Não quero mais esse sentimento na minha vida”, afirmou o atleta.

 

Revezamento brasileiro não conseguiu avançar à final olímpica. Fotos: Rodolfo Vilela/ rededoesporte.gov.br

Revezamentos não avançam

Campeão mundial de revezamento em 2019, na edição de Yokohama, no Japão, o time do Brasil não conseguiu avançar à final olímpica do 4 x 100m masculino. A equipe formada por Rodrigo Nascimento, Felipe Bardi dos Santos, Derick Souza e Paulo André Camilo de Oliveira ficou em quinto lugar na primeira série semifinal, com 38s34, o melhor tempo alcançado pelo quarteto em 2021. Com o resultado, ficou em 12º lugar na classificação geral. O melhor tempo da etapa foi obtido pela Jamaica, com 37.82.

“A verdade é que o revezamento é composto de muitas coisas, não só da passagem de bastão – a nossa é excelente -, mas erramos mesmo foi na perna. Não tivemos perna para correr uma boa marca”, diz Paulo André

“Corremos mal. As passagens foram normais, mas não tivemos o desempenho adequado, mas a gente sai de cabeça erguida porque sabemos que a pandemia afetou bastante a nossa preparação. Pelos resultados, os europeus parecem não terem sido tão afetados. Nós tivemos oportunidades, mas hoje foi isso infelizmente”, comentou Rodrigo Nascimento, que abriu a prova para o Brasil.

Paulo André, o melhor velocista do País, concorda com Rodrigo. “A verdade é que o revezamento é composto de muitas coisas, não só da passagem de bastão – a nossa é excelente -, mas erramos mesmo foi na perna. Não tivemos perna para correr uma boa marca. Agora é sair de cabeça erguida para continuar a trabalhar pelo nosso melhor e voltar ao que a gente fez em Doha”, disse, referindo-se ao recorde sul-americano de 37s72.

No 4 x 100m feminino, a equipe brasileira, formada por Bruna Farias, Ana Claudia Lemos, Vitoria Rosa e Rosangela Santos, também terminou em quinto na série 2, com o tempo de 43s15, a melhor marca da temporada. Com isso, o grupo terminou na 11ª colocação no geral e também não passou para as finais.

“Foi uma prova forte, fizemos as passagens, não pisamos na linha, foi o melhor da temporada, mas faltaram competições para dar ritmo. Demos o melhor, mas não deu”, comentou Rosangela Santos, recordista sul-americana dos 100m, com 10.91.

Gustavo Cunha, de Tóquio, no Japão – rededoesporte.gov.br