Deputado descarta aliança com o PSDB, informa que fará oposição a Caiado, mas diz que prefeitos emedebistas devem ter relação administrativa com o futuro governo


O presidente estadual do MDB, deputado federal Daniel Vilela, informa que pretende disputar a reeleição à presidência do diretório estadual. Ele faz um desafio aos adversários: para assumir tem que disputar a eleição. Daniel diz que o diretório foi prorrogado pela nacional até junho e o nacional até setembro, e que a renovação pode ser feita nos próximos meses.
“Se eu sou presidente é porque fui candidato e disputei. É democrático no partido montar chapa e disputar eleição. Quem tiver este interesse obviamente será respeitado todos os direitos. Só lembrando que prefeitos não podem disputar, porque o estatuto não permite que prefeitos sejam presidente estadual do partido. Eu pretendo ser reconduzido, se esta for a vontade da maioria do partido. Tenho dialogado como sempre fiz, e vamos aguardar o momento da eleição para ver quem tem a maioria, e quem consegue conquistar a maioria do partido”, revela.

Prefeitos
Daniel Vilela salienta que os quase 500 mil votos que recebeu nas eleições de outubro o credenciam como oposição em relação ao governador eleito Ronaldo Caiado (DEM), porém entende que os prefeitos emedebistas devem manter uma relação de parceria administrativa com o futuro governo .” Não quero colocar para os prefeitos do MDB que eles tenham obrigatoriamente ser oposição. Tem que ter uma relação harmoniosa com o governador, até porque o governo tem as suas obrigações com os municípios. Da mesma forma os deputados estaduais, entendem que estiveram na oposição nos últimos anos, e pretendem ter uma boa relação com o governo, se vão construir isto não sei, mas terão a liberdade do partido neste aspecto. Eu me coloquei como oposição, porque fui eleito para ser oposição e assim me portarei nos próximos quatro anos”, enfatiza.

Bancada
Embora não tenha chegado ao resultado esperado, Daniel Vilela diz que considera que fez uma campanha inovadora. “Nosso partido depois de muitos anos repetindo as candidaturas, lançou uma candidatura nova, com um novo projeto, buscou a oxigenação partidária e a oxigenação da politica em Goiás. Este projeto foi relativamente bem aceito, pois crescemos bastante chegando na votação com quase 500 mil votos, e é lógico que um processo de renovação em um partido, não se resolve apenas em uma eleição”, frisa.
Entrevistado pelos jornalistas Rubens Salomão e Cileide Alves, na Manhã Sagres da Rádio 730 AM, Daniel Vilela rebateu críticas de seus adversários no partido sobre o mal desempenho da legenda nas eleições para Assembleia Legislativa e a Câmara Federal. “Gostariamos de ter eleito um deputado federal, não tivemos sucesso em eleger, pois nem eu e nem o deputado Pedro Chaves disputamos a reeleição, e também de fazer um maior número de deputados estaduais. Mas isto tem haver com a fragmentação partidária. Hoje é muito difícil montar uma chapa para deputado estadual e federal, porque a maioria dos candidatos entendem que fica mais fácil ser eleito por um partido menor, que faz com que aja um número altíssimo de representação de partidos na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados. E veja que o MDB elegeu três deputados e o partido do governador eleito (DEM) elegeu quatro, o que demonstra o que estou dizendo”, analisa.

Eleições municipais
O dirigente emedebista afirma que já está trabalhando em favor do partido nas eleições municipais. “Estamos focando em construir um projeto para as eleições municipais, dialogando com candidatos que surgiram de lideranças jovens, que foram muito leais e competentes em seus municípios nestas eleições, como o Dr. Lucas em Águas Lindas, o Marcio Correia, em Anápolis, onde tivemos três vezes mais votos que na eleição de 2014, ou seja, conseguimos romper uma barreira, o Thiago Borges em Edéia, se somando aos prefeitos e outros líderes do partido. Recebemos ontem o prefeito de Castelândia, que se filiou ao MDB, e há outros três prefeitos que pretendem fazer o mesmo”, garante.

Governo
Entre as principais críticas da ala emedebista que apoiou a candidatura de Ronaldo Caiado, a principal delas é de que Daniel Vilela deixou de garantir para sí e para o partido os cargos de vice-governador ou de senador. Sobre isto, ele responde que não faz a politica do poder pelo poder. “Acredito que fomos bem sucedidos, fomos inovadores nas propostas, com um projeto para mudar a prática politica em Goiás, infelizmente, não fomos escolhidos. Nem sempre o melhor projeto ganha uma eleição. Agora é torcer para que dê certo, para que o governador Ronaldo Caiado possa recuperar o Estado das condições que se encontra, que nós já denunciávamos, tanto eu quanto ele. Eu já dizia na eleição que o Estado de Goiás não pagaria as folhas de novembro e de dezembro. Todos nós sabíamos”, relembra.
Para Daniel Vilela, o governo eleito está perdendo tempo e poderia ter feito uma transição mais rápida. “Hoje já temos o governo de Jair Bolsonaro completamente montado. Tem alguma coisa estranha nesta história. Ou os aliados estão desprestigiados, ou não tem a confiança do governador eleito para ocupar as funções importantes, ou ele entende que trazendo pessoas de fora terá condições de fazer uma melhor gestão no Estado”, critica.

Tucanos
Na Assembleia Legislativa o deputado estadual Thalles Barreto (PSDB) sugere que PSDB e MDB atuem em conjunto como bancada de oposição. Daniel Vilela descarta a idéia. “Acho muito difícil. O PSDB precisa passar por uma profunda reformulação e renovação em Goiás. Foi o partido mais penalizado nestas eleições, passou por processos graves do ponto de vista politico, eleitoral e moral. O Thalles Barreto é meu amigo, fomos deputados estaduais juntos, tenho uma boa relação com ele assim como tenho com outras pessoas do PSDB. Não sou inimigo pessoal dos adversários políticos. Talvez seja por isto que fez esta colocação, mas acho muito difícil uma composição politica com o PSDB para os próximos processos eleitorais. Acredito que alguns membros do PSDB farão oposição ao governador Caiado, assim como do MDB também farão, mas não vejo nada articulado para uma aliança de oposição contra o governador eleito. Até porque temos pensamentos divergentes, antagônicos. Nas eleições fui mais convergente ao governador eleito em relação a oposição ao PSDB e ao que foi feito ao longo destes últimos anos pelo governos tucanos em Goiás”, comenta.

Marconismo
Na avaliação de Daniel Vilela os herdeiros do tempo novo terão uma árdua tarefa pela frente em razão da fragorosa derrota dos partidos da atual base governista neste ano, bem como as investigações feitas pelo Ministério Público Federal e Policia Federal que apontam supostos casos de corrupção nos governos. “Acho que é preciso dar tempo para isto. Não vou dizer que só há ponto negativo nestes últimos 20 anos, e a população, mesmo com todo este contexto, vê pontos que julgue positivo ao longo destes anos. É lógico que este desfecho final das eleições de 2018 mancha de forma irremediável a histórica deste grupo político e principalmente do ex-governador Marconi Perillo, que ganhou muitas eleições tentando imputar aos nossos líderes, Iris Rezende e Maguito Vilela situações inverídicas, que não eram verdadeiras e ao longo dos anos isto foi se mostrando realmente inveríficas, e hoje nossos líderes estão com uma boa imagem do ponto de vista pessoal e politico, uma história bonita de serviços prestados pelo Estado. E cabe ao PSDB lutar por aquilo que acham que foram os seus pontos positivo, e se redimirem dos pontos negativos”, conclui.