Coalizão de Cristina Kirchner, que se torna presidenta do Senado, também levou o governo da província de Buenos Aires.

Cynara Menezes – Os ventos estão mudando de direção na América do Sul. A “onda neoliberal” começa a ser derrotada por seu próprio projeto econômico, propulsor da desigualdade e da recessão. Com a queda de Mauricio Macri neste domingo, a esquerda inicia sua volta ao poder pela Argentina, exatamente como temia Bolsonaro. Com 80% dos votos apurados, o peronista Alberto Fernández, da coalizão Frente de Todos, cuja vice é a ex-presidenta Cristina Fernández de Kirchner, conseguiu 47,53% dos votos contra 41% de Macri e venceu no primeiro turno.

Os argentinos disseram “não” à continuidade do desastroso governo de direita, que levou o país de volta ao FMI após 15 anos e os indicadores sociais a uma queda vertiginosa, embora o presidente tenha prometido “pobreza zero” ao assumir: nosso vizinho tem hoje o nível mais alto de pobreza desde 2001, com 52,6% das crianças na pobreza e 13,1% estão em situação de miséria. A inflação é a maior dos últimos 27 anos.

Os argentinos disseram “não” à continuidade do desastroso governo Macri, que levou o país de volta ao FMI e os indicadores sociais a uma queda vertiginosa: nosso vizinho tem o nível mais alto de pobreza desde 2001. A inflação é a maior dos últimos 27 anos

Um dado importante dessa vitória é que, pela legislação argentina, o vice-presidente ocupa a presidência do Senado. Cristina Kirchner, portanto, é a nova presidenta do Senado argentino. A coalizão de Cristina também ganhou na província de Buenos Aires: seu ex-ministro da Economia, Axel Kiciloff, derrotou a atual governadora Maria Eugenia Vidal, aliada de Macri, por uma diferença superior a 13 pontos percentuais.

Pela manhã, o novo presidente argentino, Alberto Fernández, havia felicitado Lula pelo seu aniversário de 74 anos. “Hoje faz aniversário meu amigo Lula, um homem extraordinário que está injustamente preso há um ano e meio”, escreveu, fazendo o sinal de Lula Livre. Fernández já havia visitado o ex-presidente na cadeia em Curitiba duas vezes, em julho e setembro.

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