Filme dirigido por Joseph Losey em 1972 narra a  trama do assassinato de  Trotsky no México.

Quando estreou, em 1972, O Assassinato de Trótski não foi lá muito bem recebido pela crítica e chegou a ser incluído na lista “Os 50 Piores Filmes de Todos os Tempos” em 1978.  Acharam o Trótski de Richard Burton solene demais, como se as falas do revolucionário russo no filme soassem como meras transcrições de seus discursos e escritos, e não sem alguma razão.

As anedotas sobre os bastidores dão conta que o diretor, Joseph Losey, cineasta brilhante, estaria confuso, cansado e alcoolizado durante as filmagens. Mas sabe o quê? Visto agora, quase 50 anos mais tarde, o filme impressiona por sua exatidão histórica, bem ao contrário de produções mais recentes sobre a revolução de 1917, como a minissérie Trotsky, do Netflix, cheia de erros e falsificações.

Burton como Trostski no filme

A trama se passa nos meses anteriores ao assassinato do revolucionário exilado e tem como cenário a casa onde Trótski realmente viveu no México, hoje transformada em museu. É claramente um filme simpático ao rival de Josef Stalin, e nota-se logo que foi dirigido por um comunista. O norte-americano Joseph Losey, que se intitulava um “marxista romântico”, estudou teatro na Alemanha com ninguém menos que Bertolt Brecht, chegou a se filiar ao Partido Comunista, esteve na União Soviética, onde conheceu Sergei Einsenstein, e acabou banido de Hollywood pelo macarthismo nos anos 1950, quando então passa a fazer filmes na Inglaterra.

Morreria em Londres em 1984, após dirigir obras-primas como Armadilha a Sangue Frio (The Criminal, 1960) e O Criado (The Servant, 1963), este último com roteiro do dramaturgo Harold Pinter, prêmio Nobel de Literatura em 2005, considerado um dos 100 melhores filmes do Reino Unido de todos os tempos.

A interpretação do galã Alain Delon como o assassino de Trótski, o espanhol Ramon Mercader, é um dos pontos altos do filme. Frank Jacson/Mercader é retratado como um sedutor cujo passado e identidade são cercados de mistério. Sua personalidade sombria fica evidente na cena da tourada que assiste com a namorada Guita, interpretada por Romy Schneider, no auge da beleza.

Mercader força Guita (na vida real, Sylvia Agelot) a olhar para a arena onde o touro é imolado e por fim morto com a tradicional espada enfiada no dorso, metáfora para o golpe de picareta que o frio assassino dará em sua vítima pouco depois.

Romy Schneider e Alain Delon durante as filmagens

Richard Burton também faz um Trótski bastante convincente, a despeito de falar inglês sendo russo e morando no México, e Valentina Cortese encanta como a doce Natalia Sedova. Os murais de Diego Rivera e José Clemente Orozco aparecem com destaque, mas curiosamente não há nenhuma citação a Frida Kahlo, com quem o líder do Exército Vermelho viveu um tórrido e breve romance…

 


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