A jornalista Cynara Menezes, do site Socialista Morena, observa que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) volta a atacar uma mulher e criar novos embaraços para o país em nível internacional: após as críticas de Michelle Bachelet, alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, à “redução do espaço democrático” no Brasil. Bolsonaro direcionou sua fúria contra a ex-presidenta chilena no facebook. Em entrevista na saída do Alvorada, na manhã de quarta-feira (4), Bolsonaro voltou a atacar a ex-presidenta do Chile e a elogiar o assassinato de seu pai militar por Pinochet. Não surpreende vindo de um presidente que homenageia publicamente um torturador, Brilhante Ustra, a quem considera um “herói nacional”.

 

Nas redes sociais, Bachelet fez um alerta sobre os ataques do governo brasileiro aos direitos humanos e as garantias individuais do cidadão:

 “Nos últimos meses, observamos uma redução do espaço cívico e democrático, caracterizado por ataques contra defensores dos direitos humanos, restrições impostas ao trabalho da sociedade civil”, disse a comissária da ONU em entrevista coletiva em Genebra. A ex-presidenta do Chile também lamentou o “discurso público que legitima as execuções sumárias” e a persistência da impunidade.

Michelle Bachelete ao centro com a mãe Angela e o pai, o brigadeiro Alberto Bachelete e o irmão Alberto Bachelete

A resposta de Bolsonaro foi a de fazer nova apologia à tortura e a ditadura de Pinochet, ao defender a prisão e morte do pai de Bachelet, o brigadeiro Alberto Bachelet. O militar Bachelet se opôs ao golpe encabeçado por Augusto Pinochet que derrubou Salvador Allende em  11 de setemtro de 1973, foi preso e torturado durante seis meses, até morrer no ano seguinte na cadeia, de um ataque do coração, aos 50 anos de idade. Em junho de 2012, uma perícia confirmou que Alberto Bachelet morreu em virtude das torturas. A própria Michelle Bachelet também foi presa e torturada pelo regime que o presidente brasileiro defende.

Cynara Menezes ressalta que o presidente brasileiro está se especializando em zombar de pessoas que perderam o pai na época da ditadura. Há dois meses, o presidente fez troça sobre o desaparecimento de Fernando Santa Cruz, pai do presidente da OAB, Felipe Santa Cruz. Felipe tinha apenas 2 anos de idade quando seu pai foi preso e nunca mais reapareceu.

 

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