Em entrevista ao jornal italiano La Stampa, o papa Francisco criticou o populismo de extrema direita em ascensão no mundo, em um recado claro a Donald Trump e seus fãs na política, como o brasileiro Jair Bolsonaro. “Estou preocupado porque ouvimos discursos que se assemelham aos de Hitler em 1934. ‘Primeiro nós, nós, nós…’: estes são pensamentos assustadores”, disse Francisco. Trump vive repetindo “America first”, seu slogan de campanha, e atacando imigrantes, inclusive parlamentares de origem latina e árabe.

O papa argentino criticou o nacionalismo exaltado destes projetos de governo. “Nacionalismo é isolamento. Um país deve ser soberano, mas não fechado. A soberania deve ser defendida, mas as relações com outros países e com a Comunidade Européia também devem ser protegidas e promovidas. O nacionalismo é um exagero que sempre acaba mal: leva a guerras”, disse.

O repórter pergunta: “Mas por que a Amazônia?” E o papa responde: “É um lugar representativo e decisivo. Juntamente com os oceanos, contribui decisivamente para a sobrevivência do planeta. Muito do oxigênio que respiramos vem de lá. É por isso que o desmatamento significa matar a humanidade. A Amazônia envolve nove Estados, então não é uma nação única. E penso na riqueza da Amazônia, na biodiversidade vegetal e animal: é maravilhosa.”

A defesa da Amazônia pelo papa já está causando furor na extrema direita dentro do catolicismo. Cardeais alemães atacaram Francisco por conta do Sínodo da Amazônia, mais uma vez equiparando suas visões ao marxismo. “A cosmovisão dos povos indígenas é uma concepção materialista semelhante ao marxismo e não é compatível com a doutrina cristã”, disse o cardeal Gerhard Müller, em entrevista em julho.

Em fevereiro, o general Augusto Heleno admitiu a preocupação do governo de extrema direita de Bolsonaro com o Sínodo da Amazônia, embora tenha negado haver emitido ordens para espionar a igreja. “A preocupação com o sínodo é uma preocupação real, porque o sínodo tem uma pauta que ele vai desenvolver e alguns assuntos dessa pauta são de interesse de segurança nacional. Então acaba preocupando a Abin e o GSI”, disse o general.

Confira a íntegra no site de Cynara Menezes AQUI

Leia a entrevista completa do Papa em italiano no jornal La Stampa aqui.