O presidente Jair Bolsonaro disse que o avião em que estava precisou arremeter ao tentar pousar em Sinop, no Mato Grosso, devido à falta de visibilidade na pista causada pela fumaça das queimadas.

Do Sputnik Brasil – O Pantanal vem registrando níveis de queimadas recordes. A fumaça dos incêndios está se espalhando pela região, chegando inclusive a outras partes do Brasil, como Sudeste e Sul.

Após a manobra, avião pousou normalmente na segunda tentativa. A administração do aeroporto de Sinop confirmou que havia fumaça na pista no momento do pouso, por isso o piloto não tinha 100% de visibilidade.

“Hoje quando o avião foi aterrissar, ele arremeteu. Foi a segunda vez na minha vida que acontece isso, uma vez foi no Rio de Janeiro, e, obviamente, algo anormal está acontecendo, no caso é que a visibilidade não estava muito boa”, afirmou Bolsonaro, segundo o portal G1.

‘Quanto mais nos atacarem mais interessa aos concorrentes’

O presidente não mencionou a fumaça como fator para as dificuldades de aterrissagem, mas comentou sobre as queimadas na região. Bolsonaro admitiu que existem focos de incêndios no Brasil, mas disse que as críticas interessam aos “concorrentes” do Brasil.

“Estamos vendo alguns focos de incêndio acontecendo pelo Brasil. Isso acontece ao longo de anos. E temos sofrido uma crítica muito grande. Obviamente, quanto mais nos atacarem mais interessa aos nossos concorrentes, contra aquilo que nós temos de melhor, que é o nosso agronegócio. Países que nos criticam não têm problema de queimada porque já queimaram tudo que tinham”, acrescentou o presidente.

Alta de focos de incêndios de 94%

Avião presidencial fica quase encoberto pela fumaça no aeroporto de Sinop-MT

Antes de ir para Sinop, a comitiva presidencial esteve em Sorriso, também no Mato Grosso. Além de Bolsonaro, o avião levava os ministros da Defesa, Augusto Heleno, da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, e o chefe da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos.

Na quarta-feira (16), oito países europeus enviaram carta ao vice-presidente Hamilton Mourão afirmando que o aumento do desmatamento dificulta investimentos no Brasil.

Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), setembro registrou uma alta de 94% nos focos de incêndios no Pantanal em relação ao ano passado. O número de focos neste mês é 188% maior do que a média histórica do órgão.

Em 16 dias de setembro, o bioma já registrou 5.603 queimadas, número quase três vezes acima da média para o mês e bem acima dos 5.498 focos de calor registrados pelo Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em setembro de 2007, até então o detentor do recorde.

Pelo ritmo diário de registro de fogo, setembro de 2020 será, com folga, o mês com o maior número de queimadas já registradas em toda a história no Pantanal, superando os 5.993 focos de incêndio observados em agosto de 2005 e os 5.935 focos de agosto deste ano. São os maiores números da série histórica da instituição, iniciada em 1998.