A ex-coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI) Francieli Fantinati disse nesta quinta-feira (8), na CPI da Covid, que Bolsonaro gerou dúvidas na população se posicionando contra a vacinação. “Quando o líder da nação não é favorável, a minha opinião é que isso pode trazer prejuízo”, afirmou a servidora, que deixou o cargo em 30 de junho.

Questionada pelo relator Renan Calheiros (MDB-AL) sobre sua crítica a postura do presidente, a ex-coordenador disse que precisava de falas de apoio favorável à vacinação. “Então, quando o líder da nação não fala favorável, a minha opinião pessoal é que isso pode trazer prejuízos. Se me pedir se eu tenho números disso, eu não tenho elementos, mas eu, enquanto coordenadora, precisava que a gente tivesse um direcionamento único”, respondeu.

Outro problema enfrentado foi a falta de doses de vacina e campanha publicitária. “Infelizmente eu não tive nenhum dos dois”, criticou Fantinati. Assessorada pelos conselhos, sociedades científicas e especialistas, ela disse que sabia muito bem o que fazer, mas encontrou obstáculos.

“Faltou para o PNI, sob a minha coordenação, quantitativo suficiente para a execução rápida de uma campanha, e campanhas publicitárias para a segurança dos gestores, profissionais de saúde e população brasileira. Portanto, há que se considerar que o PNI, estando sob qualquer coordenação, não consegue fazer uma campanha exitosa”, criticou.

Amparada por habeas corpus do ministro Luís Roberto Barroso, a ex-coordenadora não fez juramento para dizer a verdade, mas até o momento vem respondendo todas as perguntas dos senadores.

O pedido para a audiência da servidora partiu do senador Otto Alencar (PSD-BA), que apresentou a informação de que ela teria editado nota técnica destinada aos estados, recomendando a vacinação de gestantes que tinham recebido a primeira dose da AstraZeneca. O senador diz que o procedimento, que é chamado intercambialidade, provocou mortes no Brasil.