No momento em que há uma guerra jurídica entre governo do Estado, prefeitura e entidades empresariais sobre a flexibilização em Goiás, autoridades médicas alertam que contágios pelo coronavírus continuam crescendo e Centro-Oeste pode ser novo epicentro.

Matéria de capa da Folha de S.Paulo de hoje adverte: “Covid-19 avança no Sul e Centro-Oeste, que podem virar epicentro”. O texto ressalta: “Taxas de transmissão da doença estão crescendo pelos estados das duas regiões.

O Brasil registrou na quinta-feira (2/7), 61.884 mortes causadas pela COVID-19 e 1.496.858 pessoas infectadas pela enfermidade. Em Goiás já são 26.263 casos de doença, 545 óbitos  e 63.163 outros casos suspeitos em investigação.

Gráfico: reprodução Folha. S. Paulo

Em entrevista ao site Sputink Brasil, o médico epidemiologista e professor do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) Guilherme Werneck reforça os dados da Folha de S.Paulo.

“Hoje está claro que a epidemia está se expandindo para a região centro-oeste e sul do país, que foi relativamente poupada no início da epidemia. Nessas regiões, a gente deve esperar que a epidemia esteja iniciando de certa forma, que o número de óbitos vá aumentar”, adverte.

Guilherme Werneck  enxerga com “preocupação imensa” a reabertura.

“O que está acontecendo é uma abertura precoce em que não temos clareza do ponto em que nos encontramos na epidemia nas diferentes partes do Brasil e, também, não estamos completamente preparados para enfrentar essa flexibilização que implicaria, por exemplo, em uma ampliação substantiva no número de testes, na busca de pessoas sintomáticas e seus contatos”

Brasil caminha para um genocídio, diz professor da USP

O médico sanitarista e professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) Gonzalo Vecina Neto compartilha a preocupação com a reabertura e também discorda da avaliação do Ministério da Saúde sobre o momento do coronavírus no Brasil.

A flexibilização só poderá ocorrer se houver queda consecutiva de 14 dias. E, além disso, em regiões onde as taxas de ocupação das UTIs estejam abaixo de 60%. Caso contrário caminhamos para um genocídio”, avalia Neto. “Temos que ser sérios com o tratamento de vidas e não é isso que o Ministério da Saúde está propondo.”

Segundo ele, oOMinistério não está realizando os testes e, portanto, há um grande sub-registro de casos, por isto é preciso tomar cuidado e não pensar em relaxamento. Uma coisa é o que o secretário, o ministro, o presidente quer. Outra coisa é a realidade, ressalta.

“A realidade, infelizmente, como nós não estamos fazendo o que temos de fazer em termos de isolamento social, em termos de testagem e em termos de quarentena de pessoas que estão infectadas, os casos continuam a crescer”, concluiu.

 

Com informações da Folha, SES, Sputinik Brasil