Morte de jornalista na redação do SBT-RJ por contaminação pelo coronavírus expõe falta de atenção por parte dos patrões e da municipalidade com estes profissionais da comunicação.

Assim como enfermeiros, técnicos em saúde, socorrista e bombeiros, os jornalistas estão na linha de frente na pandemia do coronavírus. Graças ao trabalho de jornalistas, repórteres fotográficos, editores, redatores, pauteiros e estagiários (nunca se esqueça deles) a população tem uma  cobertura diária, 24 horas por dia sobre o dia-a-dia da epidemia que tomou conta do planeta.

Mas apesar da exposição diária ao perigo da contaminação estes profissionais não recebem o mesmo tratamento de outras categorias aqui citadas, aos quais mencionamos também os professores e policiais, que tem tido tratamento diferenciado no sistema de saúde. Me refiro a dois fatos, o primeiro é a vacinação do H1N1, ou influenza. Enquanto profissionais de saúde e de educação são priorizados  na imunização da gripe, os jornalistas ficaram de fora.

Hoje acompanhei a segunda fase da vacinação da H1N1 em Goiânia, que passa a atender outros grupos de risco, além dos idosos.

As prioridades nesta etapa são para:

– Gestantes
– Portadores de doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais
– Profissionais das forças de segurança e salvamento
– Adolescentes e jovens de 12 a 21 anos sob medidas socioeducativas
– População privada de liberdade
– Funcionários do sistema prisional
– Caminhoneiros, motoristas de transporte coletivo e portuários.

Nada contra a tabela de vacinação acima prescrita,  mas pergunto: por que não incluíram os jornalistas?

Esta é uma injustiça que se comete desde sempre,  pois antes do Covid19, estes mesmos profissionais de comunicação estavam expostos ao H1N1 nas suas coberturas diárias em jornais, rádios, tvs, sites e blogues.

Na vacinação realizada no campo do Goiás E.C., na “Serrinha”, os profissionais de saúde disseram que provavelmente os jornalistas serão vacinados no mês de maio. Até lá, serão mais 15 ou 30 dias sem proteção contra a influenza.

As autoridades devem rever esta tabela de vacinação o quanto antes, principalmente nestes tempos de epidemia onde é mais exigida a sua presença  comunicadores  no front de notícias. E vale dizer, que os locais de apuração dos fatos são cada vez menos salubres.

 

Césio

Durante o acidente do césio 137 em Goiânia, naquele distante ano de 1987, muitos jornalistas correram risco, e levaram ao extremo o seu compromisso de noticiar a sociedade. Alguns deles já faleceram como o repórter fotográfico Yosikau Maeda, outros estão vivas como as jornalistas Carla Lacerda e Mirian Tomé. Assim como naqueles dias, hoje muitos colegas se arriscam para apurar informações e mostrar a realidade das famílias, vítimas e profissionais de saúde que lutam contra o Covid19.

 

Jornalista do SBT-RJ morre de Covid19

José Augusto Nascimento Silva e Isabele Benito (divulgação)

Nestes primeiros meses de pandemia, já há vítimas entre os jornalistas Nesta última segunda-feira (13/04), veio a óbito o editor de imagens José Augusto Nascimento Silva, 57 anos. Ele trabalhava no SBT-RJ. Antes de morrer ele enviou áudios pelo WhatsApp acusando a emissora de negligência por manter trabalhando profissionais suspeitos de terem a Covid-19. Uma dessas pessoas, cita Silva, era a apresentadora Isabele Benito, com quem teria se contagiado.

No áudio, Naná –como era chamado José Augusto pelos colegas– apresentava-se indignado com o descaso da emissora, a qual classificou como o “epicentro do coronavírus na cidade do Rio de Janeiro”.

Segundo funcionários, o SBT Rio não deu a devida atenção a quem apresentou sintomas logo de início e reportou à chefia, que os obrigou a trabalhar normalmente na sede enquanto não recebessem o diagnóstico com a confirmação da doença.

No áudio enviado pelo editor de imagens antes de sua morte, ele se mostrou muito indignado com o fato de Isabele ter sido obrigada pela chefia do SBT Rio a ir para a emissora entre os dias 20 e 26 de março.

“Estou revoltado, não só por mim, mas também pelos meus colegas. E ela continua apresentando o jornal. Dane-se os merchans, dane-se os comerciais, dane-se tudo. Ela tá com corona, pode ser assintomática, mas vai matar uma porção de gente”, disse Naná.

Isabele afirmou ter reportado à chefia a todo momento sobre o status de sua saúde e a de seu marido. “Assim que ele foi internado, avisei [meus superiores] e não voltei mais para o SBT. Não vou pra lá desde 26 de março”, afirmou.

José Augusto Nascimento Silva é uma das pessoas que teria se infectado dentro do SBT Rio. Ele foi internado no final de março, poucos dias depois de conseguir um atestado médico, e passou cerca de duas semanas no hospital. Na sexta-feira (10), ele sofreu uma parada cardiorrespiratória e foi para a UTI, de onde não saiu mais.

A morte de José Augusto Nascimento Silva é um alerta para o sindicato, para os colegas e também para os patrões e serve para ilustrar para o serviço de saúde, que há um risco diário para os comunicadores, que merecem o respeito e o devido cuidado pelo poder público.

 

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Com informações do site Pragmatismo Político