Países que adotaram o isolamento social rigoroso, como Alemanha, Portugal, Nova Zelândia, Argentina já estão colhendo os frutos, enquanto aqueles que seguiram os Estados Unidos no relaxamento das regras sanitárias como Brasil e Suécia, assistem ao aumento vertiginoso no número de infectados e mortos.

Caos na Suécia

Suécia, país que é usado como exemplo pelo presidente Jair Bolsonaro. O governo sueco recusou as recomendações da OMS quanto à pandemia e o resultado é que continua com uma alta taxa de mortalidade pelo coronavírus. A mais elevada dos países nórdicos e a sexta do mundo.

Segundo Ana Prestes, correspondente internacional do Portal Vermelho, a maior parte do comércio ficou em atividade na Suécia, assim como restaurantes, cabeleireiros, bares e academias, até que foram obrigados a fechar por conta do aumento exponencial do número de casos. O PIB vai cair igualmente, na média entre 6% e 7% como está ocorrendo com outros países. De nada adiantou resistir ao fechamento.

Exemplos da Alemanha e Portugal

Na Europa, governos da Alemanha, e Portugal, que investiram no isolamento social, já estão colhendo os frutos e já estão reabrindo as atividades comerciais e industriais.

Na Alemanha de Angela Merkel, que controlou o vírus com isolamento amplo, testes em massa  já vive o processo de desconfinamento, o índice de confiança na economia deu um salto e mostra que investidores esperam recuperação já no segundo semestre. Essa recuperação, em boa parte, deve ser garantida graças à pesada participação do governo em programas de proteção aos empregos e às empresas atingidas pela crise.

Com PIB equivalente a 25% do PIB da UE, a Alemanha responde por mais da metade (52%) dos quase 2 trilhões de euros injetados pelos Estados em suas economias até agora. E não pretende parar por aí: com a França, propõe um plano de socorro econômico de 500 bilhões de euros, e ainda vai elevar a compensação aos trabalhadores com jornada reduzida.

Os portugueses – governados pelo Partido Socialista,  vêm sendo elogiados na imprensa internacional, em publicações como a revista alemã Der Siegel chegando até o norte-americano The New York Times, pela forma disciplinada como têm cumprido o isolamento social. No New York Times o epidemiologista espanhol Fernando Rodríguez Artalejo elogia a eficiência das medidas tomadas pelo governo português no combate à epidemia. “É o medo que leva as pessoas a comportarem-se de forma relativamente responsável”, declarou à Der Spiegel, Ana Girbal, epidemiologista e directora geral da filial de Portugal de uma farmacêutica italiana

O jornal inglês Financial Times lembrou o quanto o país tem em comum com a vizinha Espanha, como um população envelhecida e uma vida familiar unida, para mostrar a diferente abordagem à pandemia, que “causou estragos em Espanha”, enquanto “em Portugal teve taxas de infeção e mortalidade muito mais baixas”.Segundo o artigo do FT, Espanha registou mais de 24 mil mortes por Covid-19, enquanto Portugal, que tem apenas um quarto da população do país vizinho, registou pouco mais de 1000.

Nova Zelândia

Do outro lado no mundo, na Nova Zelândia a primeira-ministra Jacinda Ardern foi considerada pela imprensa internacional a “líder mais eficaz do planeta” no combate à pandemia (da qual o país já está livre).

Não deu outra, e ela é hoje a mais popular premiê do país dos últimos 100 anos. Segundo  pesquisa mais da metade dos neozelandeses aprovavam Jacinda e seu partido, e impressionantes 92% aprovavam as rigorosas medidas de isolamento implantadas por ela.  Até o dia 19 o país não registrava mais nenhum caso novo da doença.

 

Genocídio

No Brasil, onde o presidente Jair Bolsonaro manda prender governadores, atropela as medidas sanitárias e fala abertamente contra o isolamento social os números são claros: 370 mil infectados, mais de 23 mil mortos e uma projeção sombria, feita pelo IHMS (Instituto de Métrica da Univeridade de Washington), que prevê que até o mês de agosto, 88 mil brasileiros podem vir à óbito pelo Covid19.

 

Fechamento de fronteiras

Ana Prestes lembra que os EUA anteciparam a restrição para viajantes que tentem chegar ao país via Brasil. A princípio começaria a valer a partir da sexta, 29 de maio, mas foi antecipado para amanhã (27). A proibição não tem data para acabar e não afeta cidadãos norte-americanos e residentes permanentes legais nos EUA. O governo brasileiro tentou minimizar a medida anunciando que os EUA vão enviar 1000 respiradores para o Brasil, mas o governo dos EUA ainda não deu detalhes sobre quando e como chegarão esses aparelhos.

Segundo Ana Prestes, nossos vizinhos aqui do Sul também estão aprimorando as medidas de isolamento do Brasil. Argentina, Colômbia, Paraguai e Uruguai são os países que mais estão blindando as fronteiras binacionais com o Brasil, para proteger sua população do contágio pelo novo coronavírus.

Na cidade de Rivera, no Uruguai, houve contágios provocados pela proximidade com Santana do Livramento, cidade gaúcha. Por enquanto, o Uruguai registra apenas 22 mortes por Covid-19 e com uma taxa de letalidade de 2,8%, já o Brasil está com mais de 23 mil mortes e uma taxa de letalidade de 6,24% (com dados do G1). Será implementado um Tratado de Ação Binacional Sanitária para o controle da infecção na região.

Exemplo que não foi seguido

Em São Paulo, epicentro da pandemia no Brasil que luta (e perde) para manter o índice mínimo de isolamento social, prefeitura e governo se uniram na criação de um megaferiadão de última hora. A ação seria uma “última cartada” na contínua postergação de um lockdown.

No exemplo neozelandês, o lockdown foi adotado imediatamente após o primeiro caso.

Com informações do G1, UOL, Vermelho, El País e Agência Brasil