Nara Lacerda – Brasil de Fato – São Paulo (SP) -Dados divulgados pelo Conselho Nacional de Secretarias de Saúde (Conass) nesta sexta-feira mostram que o número de mortes pela covid no Brasil chegou a 55.961. O total registrado nas 24 horas de quinta (25) a sexta-feira (26) foi de 990 óbitos. Globalmente, quase 500 mil pessoas já morreram por causa do novo coronavírus. O Brasil é o segundo que mais registra números absolutos de casos fatais em todo o mundo.

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O total de infectados no país já soma 1.274.974. Em um dia foram confirmados 46.860 novos pacientes, segunda maior soma para o período desde o primeiro registro. Na semana passada, as secretarias de saúde chegaram a contabilizar mais de 54 mil novos casos em 24 horas. O resultado é o mais grave já observado globalmente.

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Uma análise da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) indica que nenhum estado brasileiro apresenta sinais de redução no avanço da pandemia. Pesquisadores do Instituto de Comunicação e Informação em Saúde (Icict) da instituição apontam risco na adoção de políticas de flexibilização do isolamento social nas grandes metrópoles, frente ao aumento de casos no interior.

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O crescimento é observado nos municípios que mais dependem do sistema de saúde dos grandes centros urbanos. Há risco de superlotação com o movimento de moradores de cidades menores em busca de atendimento nas capitais.

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Segundo a Nota Técnica do sistema MonitoraCovid-19, as unidades da federação seguem com “alto número de casos e óbitos, mesmo depois de passada a semana de máximo número de casos. Essa tendência pode configurar um patamar alto de transmissão (“platô”), que pode se prolongar indefinidamente.”

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A nota dá como exemplo a situação de Pernambuco. O número mais alto de casos na Região Metropolitana do Recife foi registrado na semana dos dias 17 a 23 de maio. As medidas de distanciamento foram afrouxadas na sequência, no entanto, nas três semanas seguintes as cidades do interior continuaram a ter crescimento de casos.

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A cartógrafa Mônica Magalhães do Icict/Fiocruz explica que o cenário pode ocasionar colapso no atendimento

“As medidas de relaxamento do isolamento social nas cidades maiores e nas capitais, sobretudo quando essas cidades apresentam comportamento ascendente das curvas de óbitos, representam um risco para o agravamento do impacto da epidemia, tanto devido ao aumento da possibilidade de difusão de casos para cidades do interior quanto pela sobrecarga dos serviços de saúde que isso pode provocar nas capitais e cidades de maior porte.”

Ainda segundo a pesquisadora “Um aumento, mesmo que pequeno, dos casos graves nas grandes cidades e nas capitais, somado ao aumento da demanda dos municípios do interior, configura um cenário delicado”.

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A nota da Fiocruz alerta ainda que há riscos em usar os índices de ocupação de UTIS como base para definir relaxamento na quarentena. “É um dos critérios que devem ser considerados para se adotar medidas de relaxamento, mas não o único. O comportamento das curvas de casos e óbitos, o ritmo e a tendência do contágio, além de expansão da capacidade de testagem para identificar casos e isolar e rastrear os contatos devem ser considerados como alicerces para a retomada das atividades econômicas.”

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Segundo os números do Conass, São Paulo segue como estado que mais registra números absolutos da doença (258.508 casos e 13.966 mortes). Na sequência estão o Rio de Janeiro (108.497 casos e 9.587 mortes) e o Ceará (104.422 casos e 5.920 mortes).

O que é coronavírus?

É uma extensa família de vírus causadores de doenças tanto em animais como em humanos. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), em humanos, os vários tipos de vírus podem provocar infecções respiratórias que vão de resfriados comuns, como a síndrome respiratório do Oriente Médio (MERS), a crises mais graves, como a síndrome respiratória aguda severa (SRAS). O coronavírus descoberto mais recentemente causa a doença covid-19.

Como ajudar quem precisa?

A campanha “Vamos precisar de todo mundo” é uma ação de solidariedade articulada pela Frente Brasil Popular e pela Frente Povo Sem Medo. A plataforma foi criada para ajudar pessoas impactadas pela pandemia da covid-19. De acordo com os organizadores, o objetivo é dar visibilidade e fortalecer as iniciativas populares de cooperação.

 

Edição: Rodrigo Durão Coelho