Comissão que acompanha ações para enfrentamento da covid-19 aponta demanda reprimida em 2020, que tem de ser atendida pelo SUS no próximo ano

RBA  – São Paulo – Senadores e deputados federais que acompanham a situação fiscal e orçamentária das ações contra a covid-19 alertam para a necessidade de mais recursos para o SUS em 2021. Em relatório, pedem atenção ao volume de demandas eletivas de saúde reprimidas neste primeiro ano de pandemia.

Conforme dados do Ministério da Saúde, entre março e junho – os quatro primeiros meses da pandemia – foi registrada queda de cerca de 61,4% nas cirurgias eletivas realizadas dentro do Sistema Único de Saúde. Além disso, o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) informa que cerca de 700 milhões de procedimentos ambulatoriais e hospitalares deixaram de ser realizados na rede pública por conta da pandemia.

Vacinas
A crise sanitária também contribuiu para que menos crianças brasileiras fossem vacinadas de março para cá. Mais da metade delas (51,6%) não recebeu todas as vacinas previstas no calendário do Programa Nacional de Imunização (PNI) do Ministério da Saúde. O ideal é que essa cobertura fique entre 90% e 95% da população infantil. Assim se garante proteção contra doenças como sarampo, coqueluche, meningite e poliomielite.

Neste ano, a cobertura da primeira dose da tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) foi inferior a 60%. A da segunda dose está abaixo de 50%. Nenhuma das vacinas previstas no calendário infantil teve índices acima de 60%. As consequências já apareceram. Até o início de agosto o país tinha 7,7 mil casos confirmados de sarampo. No ano passado, o Brasil perdeu o certificado de erradicação da doença.

Grupo de risco para covid-19, os idosos também foram prejudicados. Segundo levantamento da Universidade Federal de Pernambuco, eles deixaram de fazer exercícios físicos e tratamentos de saúde, como fisioterapia, acupuntura ou algum procedimento médico. Desses, 80% ficaram sem os procedimentos devido às restrições.

Brasil precisa do SUS

“O relatório da comissão chama atenção para a demanda que tem sido reprimida aos serviços de saúde devido à pandemia. Tal afirmação só reforça a necessidade de garantirmos mais recursos para o SUS em 2021 e enfrentarmos a proposta do governo, que retira R$ 35 bilhões da saúde”, disse o ex-ministro da Saúde e deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP).

No último dia 16, a Frente pela Vida lançou a campanha O Brasil precisa do SUS. No mesmo dia, o presidente do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Fernando Pigatto, entregou ao presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), 577 mil assinaturas coletadas até então para reivindicar mais recursos para SUS em 2021.