Na sua coluna na Folha, Mônica Bergamo comenta reações do elogio de Hamilton Mourão ao torturador brilhante Ustra.

Da Folha – A Comissão de Defesa dos Direitos Humanos Dom Paulo Evaristo Arns publicou uma carta de repúdio à fala do vice-presidente Hamilton Mourão em que defendeu o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra. A declaração veio a público na quinta (8), durante entrevista de Mourão ao programa de TV Conflict Zone, da rede alemã Deutsche Welle.

Quando questionado sobre a idolatria do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) por um dos mais conhecidos torturadores do período ditatorial, Mourão afirmou que Brilhante Ustra “era um homem de honra e um homem que respeitava os direitos humanos de seus subordinados”.

De acordo com a Comissão Arns, as palavras do vice-presidente desonram as Forças Armadas e agridem a dignidade dos que foram vítimas de Ustra, condenado pela Justiça por seus atos.

“Ao insistir em reverenciar o carrasco, [Mourão] fere mais uma vez o decoro do cargo em que foi investido sob juramento de respeitar a Constituição. É ela que nos ensina: ‘Tortura é crime inafiançável, insuscetível de graça ou anistia’”, diz a carta.