Bispos da igreja católica conclamam, em carta, que sociedade se una no ‘Pacto pela vida’.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) emitiu na quarta-feira (23) uma mensagem em que manifesta sua indignação com a situação socioambiental brasileira e seu apoio aos que tentam combater os incêndios no Pantanal e Amazônia.

Assinada pela direção da entidade católica, a mensagem aponta o descaso na proteção ao meio ambiente pelo Governo Federal, que insiste em valorizar positivamente sua própria atuação. Para a CNBB, entretanto, “esta atitude encontra-se em nítida contramão da consciência social e ambiental, na verdade beneficiando apenas grandes conglomerados econômicos que atuam na mineração e no agronegócio”.

Terras indígenas atingidas

De janeiro a agosto, segundo o Inpe, 12% do Pantanal havia sido queimado – um total de 18,6 mil km². Esta cifra, entretanto, deve ser ainda mais catastrófica: a dez dias do final do mês, o setembro de 2020 já contabiliza a maior quantidade de queimadas desde que os registros começaram.

As terras indígenas do Pantanal também estão sendo duramente afetadas. O Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais (Lasa) da UFRJ estima que as Terras Indígenas (TIs) Baía do Guató e Tereza Cristina, em Mato Grosso, tiveram mais de 80% de sua área queimada até o dia 13 de setembro.

Na TI Tereza Cristina, o povo Bororo teve que retirar das aldeias, às pressas, crianças, grávidas e idosos que apresentavam problemas de saúde em decorrência da fumaça. No Mato Grosso do Sul, o laboratório avalia que 188 mil hectares da TI Kadiwéu foram consumidos pelo fogo.

“Há um pedido de socorro, um grito que não quer e não pode se calar, dos humanos sensíveis e conscientes, das comunidades tradicionais, das populações indígenas, da terra, dos animais, das aves, das águas, das plantas, da vegetação nativa, de árvores centenárias”, escrevem os presidentes dos Regionais Oeste 1 e 2 da CNBB e os bispos das seis dioceses pantaneiras, cobrando que estes povos e comunidades sejam ouvidos e valorizados.

“As ações emergenciais são necessárias, mas não bastam; é preciso desenvolver e aplicar políticas públicas sérias de prevenção e de proteção a curto, médio e longo prazo”

 

Fazendeiros fizeram “Dia do fogo” no pantanal

A Polícia Federal investiga um grupo de fazendeiros sob suspeita de terem organizado um “Dia do Fogo” no Pantanal – à semelhança do que ocorreu, no ano passado, na região da BR-163, no Pará. Os cinco investigados seriam responsáveis, sozinhos, pela destruição de pelo menos 25 mil hectares.

Um levantamento da Agência Pública indicou que, no caso das terras indígenas atingidas pelo fogo no bioma, os focos de incêndio foram primeiro detectados pelos satélites nas propriedades privadas limítrofes, para, em seguida, se espalharem pelos territórios tradicionais.

“Reivindicamos que as autoridades se empenhem e se mobilizem com a máxima urgência e que seja feita uma investigação séria, responsabilizando e punindo os possíveis culpados com a reparação justa e necessária pelos danos causados”, afirmam os bispos na carta.

“As ações emergenciais são necessárias, mas não bastam; é preciso desenvolver e aplicar políticas públicas sérias de prevenção e de proteção a curto, médio e longo prazo”, cobram os regionais Oeste 1 e 2 da CNBB.