Governador João Dória vê uso político de decisão que paralisou testes da vacina.

A suspensão do teste clínico da vacina chinesa Coronavac gerou desconforto e estranheza no governo paulista, que teme que o episódio seja usado politicamente para retardar o cronograma de aprovação do imunizante e a vacinação.

O governo de São Paulo só ficou sabendo da suspensão do teste clínico nesta segunda-feira (9), por meio de nota, em horário nobre de noticiários de televisão, no mesmo dia em que pela manhã, o governador João Doria havia inaugurado as obras da fábrica de vacinas que produzirá em larga escala a Coronavac, caso tudo dê certo, no Brasil a partir de setembro do ano que vem, informa o jornalista Igor Gielow na Folha de S.Paulo.

Doria também havia anunciado a chegada do primeiro lote da vacina, 120 mil das 6 milhões de doses prontas importadas da China, para o dia 20 de novembro

Reação chinesa e do Butantan

O Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que o “evento adverso grave” com voluntário brasileiro durante os testes clínicos da vacina contra COVID-19 da Sinovac não está ligado à vacina chinesa.

Nesta terça-feira (10), o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Wang Wenbin, afirmou, durante coletiva de imprensa em Pequim, que a empresa Beijing Kexing Biological já respondeu sobre o assunto.

O Instituto Butantan, parceiro da Kexing, concluiu que o incidente não está ligado à vacina. A parte chinesa ligada ao desenvolvimento da vacina CoronaVac, em parceria com instituto brasileiro, anunciou que continuará mantendo consultas com Butantan sobre a questão.

“Queremos ressaltar que a empresa Sinovac Biotech já se manifestou. Em conformidade com a conclusão do instituto de pesquisa do parceiro brasileiro, o incidente não está ligado à vacina”, declarou o porta-voz.

O porta-voz enfatizou que a Sinovac segue em contato com seu parceiro brasileiro sobre o assunto.

Médico do Hospital Universitário de Brasília mostra a vacina chinesa da Sinovac, voltada ao novo coronavírus

© AP PHOTO / ERALDO PERES Médico do Hospital Universitário de Brasília mostra a vacina chinesa da Sinovac, voltada ao novo coronavírus

Na segunda-feira (9), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspendeu temporariamente o ensaio clínico da CoronaVac, testada pelo Instituto Butantan, de São Paulo, em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac, após ter sido noticiada sobre a ocorrência de um “evento adverso grave”.

A CoronaVac estava na terceira e última fase de testes. Com a interrupção, ela se torna agora a terceira vacina contra COVID-19 que teve seus ensaios clínicos suspensos por efeitos adversos graves.

O imunizante contra o novo coronavírus desenvolvido pela Universidade de Oxford teve seus testes interrompidos após uma voluntária apresentar sintomas de uma doença neurológica. Já a vacina da Johnson & Johnson também interrompeu os testes depois de uma “doença inexplicável” ter acometido um dos participantes.

Com informações da Folha e do Sputnik News