Desde a campanha presidencial de 2018 o Brasil convive com um festival de mentiras e difamações na internet. Mentiras estas que destruíram reputações de adversários e quase aniquilaram o sistema político. Estas mentiram  permitiram que um deputado do baixo clero, defensor da ditadura, da tortura e das milícias chegasse ao Palácio do Planalto. A verdade é mais forte do que fake news e suposições . Que prevaleça a verdade, para o bem da democracia, do Brasil e do povo brasileiro.

 

Marcus Vinícius

Um promotor, com o qual tive a oportunidade da convivência, me disse certa vez que contra fatos e materialidade não há argumentos. “Se na cena do crime há uma arma na mão da vítima, sinais de pólvora nos dedos e disparo na têmpora, o caso foi de suicídio. Assim como se há sinais exteriores de riqueza e o investigado não tem como justificar o aumento do patrimônio, esta riqueza é ilícita”, ponderava.

Há fatos e materialidades demais que comprovam que  o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) foi motivado por milicianos do Rio de Janeiro, e que estes milicianos tem relações políticas, econômicas e sociais com o clã Bolsonaro. O presidente mora na casa 58 no condominio Vivendas da Barra – onde também reside na casa 66  o ex-policial Ronie Lessa, acusado de ser o autor dos disparos que mataram a vereadora Marielle e o seu motorista, Anderson Gomes. Seu filho “01”, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), empregou milicianos no seu gabinete na Alerj, quando ainda era deputado estadual.  O ex-policial Fabrício Queiroz foi o responsável pela contratação de vários destes milicianos e por outras ações não republicanas, que são investigadas pelo Mintério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) . Mais : o vereador Carlos Bolsonaro, o filho “03”, tinha rixa de conhecimento público com assessores da vereadora assasinada.

Reportagem da Folha de S. Paulo revela que Elaine Lessa, esposa de Ronnie Lessa, enviou, em 22 de janeiro, uma foto de uma planilha escrita pelo porteiro do Condomínio Vivendas da Barra, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. Essa planilha sustenta que Élcio de Queiroz, outro acusado, teria acessado o local com a permissão de algum morador da casa 58 (que pertence a Jair Bolsonaro).

Os jornalistas Luis Nassif, no Jornal GGN, Renato Rovai, na Revista Fórum, Marcelo Auler e Mônica Bergamo, juntaram vários destes pontos.

Reprodução, JN/Globo

Porteiro não mentiu

Nassif chegou a alguns fatos:

  1. O condomínio abriu mão de interfones, por ser caro e por problemas de instalação. Optou-se por telefonar ou para o celular ou para o telefone fixo de cada proprietário.
  2. No caso de Bolsonaro, as ligações são para o próprio celular de Bolsonaro. E é ele quem atende. O que significa que a versão do porteiro não era descabida. Ou seja, o fato de estar em Brasilia não o impedia de atender o telefone.
  3. Carlos Bolsonaro, o Carluxo, também recebe os recados pelo celular. Em geral, fica pouco no condomínio, pois prefere permanece em seu apartamento na zona sul. Mas porteiros ouvidos por moradores sustentam que, naquele dia, ele estava no condomínio.
  4. O porteiro do depoimento está de férias. Mas moradores do condomínio foram, por conta própria, conversar com os demais porteiros. E eles garantiram que a ligação foi feita para Bolsonaro mesmo.

Nassif também cita matéria da UOL, sobre o novo sistema de interfone do condomínio Vivendas da Barra que é da Intelbras. No site da Intelbras, tem o Portal Condomínio Autônomo, com várias implementações para condomínios. Dentre elas, sistemas que permitem transferir ligações da portaria para celulares. No Fórum da Intelbras, há inúmeras páginas explicando como redirecionar ligações.

Portanto é verossímil que o porteiro tivesse ligado para a casa 58 e Bolsonaro tivesse atendido, mesmo estando em Brasilia.

Promotora bolsonarista

A constatação sobre o sistema interno do condomínio não é suficiente para garantir que Elvio Queiroz iria visitar Jair Bolsonaro. Mas seria suficiente para mostrar que Bolsonaro mentiu em seu vídeo apoplético, quando negou ter recebido a ligação por estar em Brasília.

Na Revista Fórum, Renato Rovai postou fotos da promotora Carmen Eliza, que aparece com camiseta de campanha de Bolsonaro, e noutra imagem, abraçada com o deputado Rodrigo Amorim, que quebrou a placa em homenagem à vereadora Marielle Franco. Ocorre que Carmen Eliza é promotora do caso Marielle. E por estas divulgações ela foi afastada do caso pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, um dia após dizer que o porteiro estava mentindo.

Publicações que denunciam o alinhamento pró-Bolsonaro da promotora foram compartilhadas pelo jornalista do Intercept Brasil, Leandro Demori, na quinta-feira (31). Uma das postagens no Instagram, que é fechado, relata seus sentimentos no dia em que Bolsonaro assumiu a presidência.

Há anos que não me sinto tão emocionada. Essa posse entra naquela lista de conquistas, como se fosse uma vitória…”, diz um trecho da publicação da promotora Carmen Eliza, no dia 1 de janeiro de 2019. Em outra foto, ela aparece vestindo uma camiseta com o rosto de Bolsonaro estampado, escrito “Bolsonaro presidente”.

Algo no ar

De acordo com a coluna de Mônica Bergamo, várias autoridades tem a convicção de que algo grave, e que ainda não é público, ocorre e já é do conhecimento dos Bolsonaros, tamanha é a inquietação entre eles.

A intensidade dos ataques do presidente Jair Bolsonaro (PSL-RJ) ao governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), reforçou a desconfiança generalizada de autoridades sobre a postura agressiva do presidente e de sua família”, aponta Bergamo.

Fatos e materialidade

Jornalista investigativo, com passagem nos principais jornais e revistas do País, Marcelo Auler analisa em seu Blog, as evidências que colocam o clã Bolsonaro no epicentro das investigações sobre o assassinato de Marielle Franco:

“No dia 14 de março de 2018, portanto muito antes de se iniciar a disputa eleitoral do ano passado, o porteiro do Condomínio Vivendas da Barra, na Av. Lúcio Costa, Barra da Tijuca (RJ), no estrito cumprimento de suas funções, registrou no livros e/ou fichas de controle dos acessos ao condomínio, o ingresso do Logan placa AGH 8202, tendo como destino a casa de número 58. O registro mostra que o ingresso do carro, dirigido por Élcio Vieira, ocorreu às 17h10.

Certamente, ao cumprir estritamente seu dever profissional, ele jamais imaginaria que o ocupante daquele carro, horas depois, às 21h30, do outro lado do Maciço da Tijuca, a quilômetros de distância dali, participaria do assassinato da vereadora Marielle Franco, do PSOL e de seu motorista, Anderson Gomes. Talvez o porteiro nem soubesse quem era Marielle.

Sem poderes premonitórios, o funcionário do condomínio também jamais preveria que, sete meses e meio à frente, em 28 de outubro do mesmo ano, o morador da casa 58, Jair Messias Bolsonaro, se elegeria o 38º presidente da República, com 55 milhões de votos. Portanto, ele não tinha motivo algum para registrar erroneamente a entrada daquele carro”, sintetiza Auler.

 

Fake News

Há fotos do presidente e filhos com os envolvidos no assassinato.

São por demais conhecidas as ligações de Bolsonaro e sua prole com as milícias no Rio de Janeiro.

Os fatos, a materialidade e as evidências falam mais alto do que a capacidade de gerar notícias falsas (fake news) da rede bolsonarista. Conforme denuncia feita pelo deputado federal Alexandre Frota (ex-PSL) à CPI das Fake News, “Carluxo, o “03”, coordena a milícia virtual de Bolsonaro.

 

“Quem coordena? Carlos Bolsonaro, direto do Rio de Janeiro, coordena. Realizando reuniões, disparando via Whatsapp seus comandos”, disse o Frota

 

 

Desde a campanha presidencial de 2018 o Brasil convive com um festival de mentiras e difamações na internet. Mentiras estas que destruíram reputações de adversários e quase aniquilaram o sistema político. Estas mentiram  permitiram que um deputado do baixo clero, defensor da ditadura, da tortura e das milícias chegasse ao Palácio do Planalto.

A verdade é mais forte do que fake news e suposições . Que prevaleça a verdade, para o bem da democracia, do Brasil e do povo brasileiro.