Adesão de caminhoneiros a atos antidemocráticos no dia 7 não passa de fake news. Entidades que representam a categoria dizem não apoiar movimento. Empresariado também retira apoio a Bolsonaro

Parte dos donos do agronegócio e do serviço de logística tenta usar seu poder econômico para passar a ideia de que a maioria dos caminhoneiros apoia as pautas golpistas e autoritárias que Jair Bolsonaro tenta impor ao país no 7 de Setembro.

Chorão diz que Aprojota é Sérgio Reis não falam pelos caminhoneiros

A verdade, no entanto, é que a propagada adesão da categoria aos atos antidemocráticos chamados pelo atual presidente não passa de mais uma fake news do bolsonarismo, que fica cada vez mais isolado e perde apoio de importantes partes do empresariado.

Em entrevista sexta-feira (3) à Folha de S. Paulo, representantes dos caminhoneiros dizem não apoiar os ataques de Bolsonaro à democracia e afirmam que não participarão de atos no dia 7. Carlos Alberto Litti Dahmer, diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL), diz que, se houver algum “barulho”, será devido ao grande poder econômico de empresas de logística e do agronegócio, que são donas de grandes frotas de caminhões.

Já Wallace Landim, o Chorão, também diz que a entidade que ele comanda, a Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores (Abrava), não apoia o ato, que, segundo ele, “é do Sérgio Reis, da Aprosoja (Associação Brasileira dos Produtores de Soja) e do movimento intervencionista”.

Não é difícil ver que uma ampla adesão de caminhoneiros a Bolsonaro não passa de fake news. Com o preço dos combustíveis nas alturas, por culpa da absurda política adotada na Petrobras, a categoria não tem nada a comemorar. Já o agronegócio tem suas razões para aderir ao golpismo de Bolsonaro. “O enfrentamento do presidente Jair Bolsonaro ao STF (Supremo Tribunal Federal) ganha apoio nesse grupo. Há três ações diretas de inconstitucionalidade propostas por ruralistas e por transportadoras que ainda não foram julgadas pela corte. Elas questionam a política nacional de piso mínimo, implementada por meio de lei durante o governo Michel Temer (MDB)”, informa a Folha.

 

Manifestos em defesa da democracia

Claramente preocupados com a escalada golpista de Bolsonaro, o empresariado tem divulgado manifestos em defesa da democracia nos últimos dias. O mais recente documento é assinado por 300 empresários mineiros e veio a público na quinta-feira (2), em evento virtual organizado pela Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas). “A democracia não pode ser ameaçada, antes, deve ser fortalecida e aperfeiçoada”, defende o grupo.

Na segunda-feira (30), algumas entidades agrícolas também divulgaram uma carta com preocupações semelhantes. “As entidades associativas abaixo assinadas tornam pública sua preocupação com os atuais desafios à harmonia político-institucional e, como consequência, à estabilidade econômica e social em nosso país”, diz um trecho do documento, assinado por organizações como Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e Associação Brasileira dos Produtores de Óleo de Palma (Abrapalma).

Grito dos Excluídos

Enquanto Bolsonaro e parte dos poderosos atentam contra a democracia, o povo brasileiro vai às ruas no 7 de Setembro pelas pautas que realmente importam ao país, como mais vacina, mais renda, mais educação e menos fome.

A presidente do PT, deputada Gleisi Hofmman disse que o Partido dos Trabalhadores já chamou sua militância para se juntar ao Grito dos Excluídos, movimento que há 27 anos aproveita o Dia da Independência para defender os interesses da parte mais vulnerável da população brasileira.

“O Grito dos Excluídos acontece há 21 anos, sempre com pautas diferenciadas, dependendo do ano. E, neste ano, é a crise do povo. E nós precisamos estar juntos do povo brasileiro, porque essa é a nossa pauta”, diz a presidenta do PT, Gleisi Hoffmann.