Obsessão de Caiado pela aliança com o MDB, pela destruição do marconismo e por inviabilizar Gustavo Mendanha, limita o horizonte politico do governador

Marcus Vinícius de Faria Felipe

Desde sua eleição ao Senado em 2014, o governador Ronaldo Caiado (DEM) tem duas estratégias bem definidas: ter o MDB ao seu lado e desconstruir o legado do Tempo Novo, como eram chamados os governos de Marconi Perillo, dos quais, ele Caiado,  também fez parte da base de apoio, quando apoiou a eleição (1998) e as reeleições (2002 e 2010), de Marconi, inclusive indicado o advogado José Éliton para ser o vice do tucano.

Caiado avaliou, no entanto, que não teria apoio de Marconi Perillo para um vôo mais alto e sabia que somente com o DEM não venceria uma disputa majoritária. Feitas as contas, em  2014 Caiado rompeu com o tucano e aproximou-se de Iris Rezende (MDB) a quem apoiou a candidatura ao governo e foi candidato a senador. Iris não se elegeu, mas Caiado ganhou a disputa ao Senado, graças aos votos do MDB.

Esta experiência marcou Caiado. Confirmou que estava certa sua leitura: para sobrepor o marconismo, teria que se apropriar do legado do irismo ou do emedebismo, que era o pólo partidário com capacidade de rivalizar com o líder tucano.

Nestes últimos 32 meses de governo, Caiado não tem feito outra coisa senão apostar no seu binômico: de um lado, trabalha para ter o MDB ao seu lado na chapa sucessória, de outro, cacete no marconismo, para desgastar ao máximo a figura do ex-governador.

 

Está correta a visão do governador?  No papel sim, mas como diria Garrincha, “é preciso combinar com os russos”.

Em política nem sempre as coisas seguem um caminho linear, as vezes um tal de “Sr. Imponderável” aparece  e se impõe, como o próprio Caiado viu em 1998.

Ninguém no mundo político acreditava que Iris Rezende perderia aquela eleição para governador. A oposição não contava com nomes de peso. Ronaldo Caiado (DEM) e Lúcia Vânia (PP) – que tinham sido candidatos em 1994, quando perderam para Maguito Vilela (PMDB), preferiam sair candidatos a deputado federal, e deram graças a Deus, quando Marconi Perillo (PSDB) deixou de lado a candidatura à reeleição para Câmara Federal e topou ser candidato a governador. A oposição precisava ter candidato e tanto ele quanto Lúcia preferiam não ir para o sacrifício.

Em 1998, o Sr. Imponderável apareceu. O PMDB de Iris fez tudo errado, o PSDB de Marconi fez tudo certo, e aí, deu zebra!

O governador Ronaldo Caiado tem nítida na memória esta campanha e sabe o perigo do novo.

O prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha (MDB) tem todas as características do novo. É jovem, faz uma administração reconhecidamente moderna, arrojada, inclusiva. Foi reeleito com 95,81% dos votos válidos, fruto de uma grande aliança que abarcou as principais lideranças e partidos políticos do município.

Caiado acompanhou de perto a eleição de Gustavo. Trabalhou contra o tempo todo. Tirou o vice, Veter Martins (PSD), da chapa de Gustavo, numa articulação que também visava fortalecer a candidatura do senador Vanderlan Cardoso (PP) contra a campanha de Maguito Vilela em Goiânia. Por fim, Caiado também fez  denúncias contra a campanha de Gustavo, que cairam por terra. 

Quanto mais Caiado combate Gustavo, mais o nome dele se fortalece no Estado. Pesquisas de posse do próprio governo e da oposição demonstram isto. Os levantamentos feitos por ambos os lados mostram que o prefeito de Aparecida já está sendo reconhecido por vários segmentos sociais como expectativa positiva para governar Goiás. Os mesmos números apontam o ex-governador Marconi Perillo com muitos simpatizantes e defensores. Resumindo: Gustavo pode chegar lá e Marconi não está morto.

Já disse em outros artigos e não custa repetir: política é o único lugar neste mundo material onde ocorre ressureição. Iris perdeu em 1998, sofreu nova derrota em 2002, quando viu frustrada sua reeleição ao Senado, mas em 2004 “ressuscitou” sendo eleito prefeito de Goiânia, reeleito em 2008 e mais uma vez vitorioso em 2016, consagrando-se com administrações virtuosas e exitosas na Capital.

Um novo tempo novo assombra Caiado. E o medo é um sentimento danado, faz a pessoa cometer um erro atrás do outro.