Governador foi um dos que não assinou a carta dos governadores contra o autoritarismo do presidente da República e sinaliza reaproximação com  Bolsonaro.

Marcus Vinícius de Faria Felipe

O governador Ronaldo Caiado (DEM) começa a sua reaproximação com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Foi um gesto marcante esta semana a sua rejeição ao trecho do texto da carta onde 24 dos 27 govenadores criticaram o autoritarismo do presidente.

O jornalista, Bernardo Mello Franco registrou o gesto de Caiado e de outros governadores na sua coluna no Jornal O Globo:

“Aliados de Jair Bolsonaro vetaram segunda-feira, em reunião do Fórum de Governadores, a divulgação de uma carta conjunta contra as ameaças do presidente à democracia e ao Supremo Tribunal Federal.
A ideia era publicar uma carta aberta de caráter suprapartidário, em defesa do estado de direito e do sistema eleitoral.
No entanto, a proposta foi bombardeada pelos governadores Romeu Zema (Novo-MG), Ronaldo Caiado (DEM-GO) e Carlos Moisés (PSL-SC). Os três pretendem concorrer à reeleição em 2022 com apoio do presidente”, registrou.

Caiado tem recebido críticas dos setores bolsonaristas em Goiás. O principal defensor da reeleição do presidente,  deputado Major Vitor Hugo (PSL), já declarou que quer um palanque para Bolsonaro, com ou sem Caiado, nem que seja preciso ele mesmo se candidatar ao governo do Estado.

O PP, partido com maior presença no governo Bolsonaro, também tem dado cutucadas no inquilino da Casa Verde. As relações do governador com o presidente do partido em Goiás, o ex-deputado Alexandre Baldy estão estremecidas, desde que demitiu o seu irmão, Adriano Baldy da Secretaria de Cultura.

Caiado trabalha para unir a direita e fechar apoios ao centro. Sua meta é repetir 2018 e garantir a sua vitória no primeiro turno. Se precisar reaproximar do presidente, irá fazê-lo.

A versão original da Carta dos Governadores havia sido redigida pelo governador Wellington Dias (PT-PI) e contava com apoio dos presidenciáveis João Doria (PSDB-SP) e Eduardo Leite (PSDB-RS). Os governadores criticaram as ações de bolsonaristas contra o STF e também o incentivo destes a uma sublevação das polícias militares no ato do dia 7 de setembro, que tem sido convocado nas redes bolsonaristas com objetivo de “fechar o Congresso e o STF e quebrar tudo”.

Em São Paulo, o governador João Doria (PSDB) teve de afastar o chefe do Comando de Policiamento do Interior-7, coronel Aleksander Lacerda, que convocou policiais para os atos pró-Bolsonaro.

É certo que o governador preferiu não melindrar com o presidente, mas assinou os outros termos da carta que estabelece que os governadores vão cobrar dos comandantes da Polícia Militar que as guarnições nos Estados cumpram o que rege o artigo 144 da Constituição Federal:

§ 5º Às polícias militares cabem a polícia ostensiva e a preservação da ordem pública; aos corpos de bombeiros militares, além das atribuições definidas em lei, incumbe a execução de atividades de defesa civil.

    § 6º As polícias militares e corpos de bombeiros militares, forças auxiliares e reserva do Exército, subordinam-se, juntamente com as polícias civis, aos Governadores dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios.

A pergunta que se faz é: Caiado vai conter ou apoiar ações bolsonaristas na PM goiana em favor da pauta autoritária do presidente?
Ônibus com PM´s de Goiás irão reforçar o movimento golpista no 7 de setembro?
A disciplina será mantida?

Estas são questões importantes, que podem dar o tom do governador nesta pré-campanha.
Se Caiado ceder ao autoritarismo bolsonarista, significa que abre as portas para entrada do PSL e do PP em seu governo, e quiçá, na chapa majoritária, talvez com o PSL indicando o vice e o PP o candidato ao Senado?
E aí como ficam as costuras com outros partidos como o MDB, PSD, Cidadania, PSB e Republicanos?

É um momento delicado para o governador, e para a democracia.
Caiado está diante de um equilíbrio difícil e precisa saber se está disposto a um vale-tudo para garantir a sua reeleição ou se irá se postar ao lado dos que defendem o Estado de Direito.