Sem citar diretamente o presidente da República, governador de Goiás diz “alíquota que é cobrada em Goiás é a mesma desde 2016. Não fizemos nenhum reajuste. O imposto é o mesmo do ano passado, por exemplo, em que a gasolina custava até menos de R$ 4,00”

A passagem do presidente Jair Bolsonaro por Goiânia continua rendendo polêmicas. Na sexta-feira (27) e no sábado (28) o presidente participou de “motociata” e depois de evento com membros da Igreja Assembleia de Deus Madureira de Campinas. Nas duas ocasiões, Bolsonaro soltou farpas contra prefeitos e governadores, seja em razão das políticas de controle adotadas por estes entes da federação em relação à pandemia, seja pelas cobranças em relação ao preço dos combustíveis, apos a nova alta do valor pela Petrobrás. Ao seu estilo, o presidente disse outra vez que “a culpa não é minha, mas do ICMS que os governadores cobram sobre o preço dos combustíveis”.

Nesta segunda-feira, 30, pelo twitter o governador Ronaldo Caiado (DEM):

Para começar a semana é bom esclarecer mais uma vez sobre o ICMS dos combustíveis. A alíquota que é cobrada em Goiás é a mesma desde 2016. Não fizemos nenhum reajuste. O imposto é o mesmo do ano passado, por exemplo, em que a gasolina custava até menos de R$ 4,00. Ressaltou ainda que “o ICMS é um imposto importantíssimo para muitas das 246 prefeituras do Estado. O repasse de 25% é feito mês a mês para ser utilizado na Educação, Saúde e Serviços”.

 

Caiado também usou a Lei de Responsabilidade Fiscal para justificar a manutenção do valor da alíquota, contradizendo posição que tinha antes, a época que era senador, quando defendia a redução do imposto:

Hoje, Goiás está sob a Lei de Responsabilidade Fiscal que impede qualquer alteração na receita ou despesa sem a devida compensação. Como Goiás, um Estado afogado em dívidas e empréstimos da gestão anterior, justificaria uma redução?

Caiado tem caminhado no fio da navalha com  Bolsonaro. Partidários do presidente pressionam para que o governador anuncie apoio à sua candidatura a reeleição, ameaçando lançarem candidatos da base bolsonarista, dividindo o eleitorado conservador no Estado. Uma das possibilidades é que a candidatura ao governo do Estado do senador Vanderlan Cardoso, que faz parte do PP – maior partido de sustentação a Bolsonaro no Congresso Nacional. A chapa pode ser formada também pelo PSL, que na Assembleia Legislativa tem dois deputados que fazem forte oposição a Caiado – Major Araújo e Delegado Humberto Teófilo – e na Câmara Federal os deputados Delegado Waldir Soares e Major Vitor Hugo.

Neste jogo de morde e assopra o governador tenta se equilibrar nesta seara bolsonarista, e talvez por temer a perda de parte substancial deste segmento é que tem investido com tanta força no apoio do MDB à sua reeleição. Por enquanto, o principal empecilho a este projeto é o prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha, que também utilizou as redes sociais para mandar o seu recado pela candidatura própria do MDB: